Formiga

Painense morto na Guerrilha do Araguaia é homenageado na Câmara

Os vereadores da Câmara Municipal de Formiga, por indicação de Reginaldo Henrique dos Santos (Dr. Reginaldo/PCdoB), prestaram uma homenagem póstuma a Paulo Roberto Pereira Marques. Ele nasceu em Pains em 14 de maio de 1949, ex-militante político de esquerda e assassinado na Guerrilha do Araguaia.
Durante a reunião de segunda-feira (30), estiveram presentes no plenário a mãe de Paulo Roberto, Maria Leonor Pereira Marques; a tia Vitória Pereira e o professor universitário em Curitiba Marco Aurélio Valadão.
Dr. Reginaldo ressaltou que, desde que foi presidente da Câmara, em 2009, que queria fazer esta homenagem. ?Uma pessoa de família humilde, nascida em Pains, que batalhou por este país até perder a vida, que tinha um sonho de democracia. Quero ressaltar também o empenho do professor Marco Aurélio Machado para que essa homenagem acontecesse?.
Maria Leonor, de 85 anos, veio de Belo Horizonte e agradeceu aos vereadores pela homenagem e falou sobre a lembrança de Paulo Roberto. ?A minha filha já foi lá na região do Araguaia e conversou com amigos dele. Ele tinha uma farmácia lá e tratava dos doentes, das pessoas que tinham malária. Até hoje venho recebendo homenagens, não felizes, mas não deixa de ser uma alegria, saber que um filho cumpriu o dever dele. Graças a Deus ele é lembrado, o triste é ser esquecido?.
O professor Marco Aurélio destacou que muitas pessoas já perderam os pais ou entes queridos, mas sabem onde estão sepultados. ?Temos aonde ir para lembrar essas pessoas e essa senhora não teve esses direitos. Ela perdeu o filho com 24 anos e, até hoje, as chamadas forças de segurança do país impedem que essa senhora tenha atestado de óbito, que tenha um local se quer para colocar flores no túmulo do filho. Os tempos são outros, mas é preciso que nós dediquemos um pouco da nossa atenção às famílias que perderam entes queridos e não têm o que fazer, não têm o que recorrer. Essas famílias lutam para que esses arquivos da época da ditadura sejam abertos e, infelizmente, se recusam a fazer isso. Peço aos senhores que apóiem a criação da chamada comissão da verdade, que tem sido debatida em Brasília e as Forças Armadas impedem a criação dessa comissão?,solicitou Marco Aurélio.
Quem foi Paulo Roberto
Com 15 anos de idade, Paulo Roberto saiu de Pains e foi estudar em Acesita, morando na casa de uma tia. Lá ficou por um ano. Mudou-se para Belo Horizonte onde concluiu o 2º grau, já que seu interesse era o vestibular para cursar química. Junto com os estudos, trabalhava no Banco de Minas Gerais onde participou da greve dos bancários de 1968, razão pela qual foi indiciado na Lei de Segurança Nacional. Participava também de trabalhos comunitários na Igreja de Santa Efigênia. Em função de sua militância política caiu na clandestinidade, vivendo na Bahia e no Rio de Janeiro. Exímio músico e poeta dedicado, em 1969 aderiu à luta armada contra o regime militar.
O guerrilheiro entrou na militância política em 1968, para a clandestinidade em 1970 e em 1971 aderiu à luta armada no Araguaia. Paulo Roberto Pereira Marques, cujo nome de guerrilheiro era Amaury, ?desapareceu? no dia 25 de dezembro de 1973, aos 24 anos, sendo um dos últimos guerrilheiros a lutar e morrer no Araguaia, em um lugarejo chamado Palestina. A família só soube que ele estava naquela região, depois da anistia em 1979. De acordo com fontes locais ele estava entre aqueles que, por insistirem em sobreviver, teriam o veredicto de ?execução sumária?. Hoje, Paulo Roberto estaria com 62 anos.