Não são só pulmão e coração que sofrem a cada tragada de um fumante. Fumar é um vício que traz repercussões para diversos órgãos do corpo humano, inclusive para o maior deles: a pele. “É um hábito que causa dano oxidativo ao organismo e liberação de radicais livres (moléculas produzidas pelo corpo que reagem com outros componentes e causam envelhecimento da pele). Tomar sol em excesso e estresse são fatores que aumentam a produção de radicais livres”, explica Alessandra Romiti, Coordenadora do Departamento de Cosmiatria Dermatológica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Confira a seguir cinco danos que o cigarro pode causar à pele.
- Códigos de barra
Esse é o nome popular das linhas de expressão que se formam próximas à boca do fumante. As marcas são uma consequência da repetição de movimentos dos músculos do rosto ao tragar. Aline Pinheiro, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que o efeito é o mesmo de quem tem o hábito de franzir a testa para enxergar contra o sol. As marcas ficam: “Isso é bem comum. O hábito de tragar é como se fosse um exercício físico, você faz um determinado movimento muitas vezes”.
- Ressecamento
Os “danos oxidativos” citados por Alessandra são um dos responsáveis por uma pele mais seca. A maior produção de radicais livres inibe a produção de colágeno, proteína importante para hidratar e dar elasticidade à pele.
Outra característica do cigarro contribui para uma pele seca e rígida: quem fuma experimenta a diminuição do diâmetro de seus vasos sanguíneos, a chamada vasoconstrição. O transporte de substâncias importantes para a pele, portanto, torna-se mais difícil.
“Há dificuldade por esse déficit na circulação sanguínea. Com os vasos mais fechados, as substâncias necessárias para hidratar a pele não transitam tão facilmente pelo corpo”, analisa Catarine Padoveze, dermatologista e pós-graduada em cosmiatria.
- Cicatrização complicada
A diminuição da capacidade de regeneração da pele é outra consequência da vasoconstrição e do aumento de radicais livres provocados pelo cigarro. Assim como substâncias hidratantes não “encontram” o caminho em meio a vasos finos, o mesmo ocorre com elementos que auxiliam na recuperação da pele. E o chamado “dano oxidativo” causado pelos radicais livres acelera o processo de envelhecimento, impactando na capacidade de regeneração.
Não à toa os cirurgiões estéticos costumam fazer uma recomendação importante aos fumantes que estão prestes a se submeter a algum procedimento. “Em geral se exige que o paciente fique sem fumar durante algumas semanas, para facilitar a cicatrização”, conta a dermatologista Juliana Piquet, membro efetivo da SBD e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).
- Manchas
Talvez a manifestação mais evidente dos efeitos do cigarro sobre a pele, as manchas amareladas que aparecem principalmente na ponta dos dedos, são resultado da impregnação da nicotina no local. O calor do cigarro potencializa este processo. “O cigarro vai ficando pequeno, e o calor bem próximo da pele causa uma alteração de coloração não só na ponta dos dedos, mas também nas unhas, que ficam completamente impregnadas”, afirma Aline.
- Celulite
Bem mais comum entre as mulheres, a celulite é um depósito de gordura sob a pele. Suas causas são das mais variadas e incluem fatores hereditários, mas o cigarro aumenta a possibilidade de ela aparecer.
Provocada pelo fumo, a piora da circulação sanguínea é a vilã. Quando o sangue não flui da melhor forma possível, prejudica-se a drenagem das toxinas, o que deixa mais viscoso o líquido que fica entre as células, facilitando a formação dos depósitos de gordura.
Fonte: G1||








