A Polícia Federal (PF) identificou indícios de uma tentativa de reproduzir, na Caixa Econômica Federal, um esquema semelhante ao de descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As suspeitas constam em uma representação enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, no âmbito da “Operação Sem Desconto”.
Segundo a PF, o objetivo da articulação seria envolver clientes da Caixa em um esquema ilícito semelhante ao investigado no INSS. Para os investigadores, a iniciativa indicaria a expansão das práticas criminosas para além do instituto previdenciário, atingindo outra entidade da administração pública indireta federal e violando a confiança de consumidores bancários.
A tentativa é atribuída a Hélio Marcelino Loreno, apontado como um dos operadores de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a Heitor Souza Cunha, ex-diretor-executivo da Caixa Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. De acordo com a PF, ambos teriam papel relevante na manutenção das estruturas empresariais e administrativas utilizadas pelo grupo investigado.
Durante as apurações, a PF identificou que investigados da Operação Sem Desconto se referiam a Hélio e Heitor como sócios no chamado “negócio da Caixa”. A referência aparece em um diálogo de WhatsApp, de fevereiro de 2025, entre Adelino Rodrigues Júnior, apontado como responsável pelo fluxo financeiro interno do esquema, e Domingos Sávio, sócio do “Careca do INSS”. Na conversa, Domingos afirma: “Somos sócios (de Hélio e Heitor)”.
Ainda conforme a investigação, após assumir a diretoria-executiva da Caixa Distribuidora, em abril de 2024, Heitor teria solicitado um adiantamento de R$ 20 mil a Adelino, alegando sua autorização para ocupar o cargo. Em junho do mesmo ano, ele teria recebido mais de R$ 10 mil do parceiro. A PF também levantou suspeitas sobre a relação entre Heitor e Milton de Almeida Júnior, um dos sócios das empresas ligadas ao “Careca do INSS”. Em um episódio citado, Heitor teria pedido a Milton o pagamento de um valor e, no dia seguinte, recebido R$ 15 mil. Posteriormente, solicitou pouco mais de R$ 7 mil, afirmando que o montante poderia ser descontado em pagamento futuro.
Diante dos indícios, a PF solicitou ao ministro André Mendonça o afastamento cautelar de Heitor de suas funções na Caixa Econômica Federal, além da imposição de monitoramento eletrônico. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou concordância com as medidas, com o objetivo de preservar a moralidade administrativa e evitar interferências institucionais. O pedido foi acolhido pelo ministro.
Procurada, a Caixa informou que Heitor deixou a diretoria-executiva em novembro de 2024. Em nota, a instituição afirmou que atua de forma conjunta com os órgãos de segurança pública em investigações que envolvem a empresa e destacou que as informações são consideradas sigilosas, sendo repassadas exclusivamente às autoridades competentes.
A nova fase da Operação Sem Desconto também resultou na prisão do então secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), em Brasília. Antes de assumir o cargo no ministério, Adroaldo Portal atuou como chefe de gabinete de Weverton.
Com informações do Jornal O TEMPO







