A Operação Lava Jato foi criada em 2014 para desvendar esquema de corrupção na Petrobras. Foi considerada símbolo do combate à corrupção. Teve como principais componentes o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol.

No dia 1º.02, o Supremo Tribunal Federal (STF) quebrou o sigilo das mensagens dos integrantes da Lava Jato e ficou comprovada a união entre a Procuradoria (acusação) e o juiz para atingir a condenação dos acusados.

Diante do descrédito, a Procuradoria Geral da República (PGR) no dia 03.02 encerrou a Lava Jato.

O ministro do STF, Gilmar Mendes, no dia 09.03, afirmou a Lava Jato ser o “maior escândalo judicial da nossa história” e completou: “Não podemos aceitar que o combate à corrupção se dê sem limites…. Não podemos aceitar que o Estado viole as suas próprias regras…”

Em março de 2021, o STF anulou as decisões tomadas nos processos do ex-presidente Lula e julgou Moro suspeito.

As irregularidades da Lava Jato deveriam ter gerado punições.

Entretanto, dia 10.11 surge Moro impune e se filia ao Podemos, com o fim de ser candidato em 2022 a presidente da República ou a senador.

De forma combinada, Deltan Dallagnol pediu exoneração do cargo de procurador e, em rede social, afirmou “Posso fazer mais pelo país fora do Ministério Público”, com clara indicação de que participará das eleições de 2022.

Rodrigo Janot, no livro “Nada menos que tudo: bastidores da operação que colocou o sistema político em xeque”, p. 170-171, mostrou o direcionamento político da operação, ao buscar alvos selecionados, quando escreveu: ““Precisamos que você inverta a ordem das denúncias e coloque a do PT primeiro”, disse Dallagnol, logo no início da reunião”.

Indigna os dois ex-membros da Lava Jato aparecerem agora como paladinos da justiça e da correção. Deveriam estar respondendo pelos excessos cometidos, principalmente por terem agido fora dos parâmetros legais e terem desonrado o Poder Judiciário e o Ministério Público.

O Grupo Prerrogativas, no dia 04.11, em nota manifestou o seu desapreço, nestes termos: “Sergio Moro violou gravemente a obrigação de imparcialidade a que devem respeito todos os magistrados, como condição elementar de sua atuação. Já Deltan Dallagnol converteu a força-tarefa que coordenava na Lava Jato num sinistro esquadrão dedicado a empreender perseguições políticas sem base legal. Ambos agora revelam ao país a verdadeira índole dos abusos que praticaram. São traidores das instituições às quais pertenceram e inimigos da Constituição, sedentos de poder e ávidos pela manipulação de incautos”.

O Ministro do STF, Gilmar Mendes, no dia 05.11, postou nas redes sociais: “Demonizou-se o poder para apoderar-se dele. A receita estava pronta”.

Em 2021, a própria Lava Jato derruba seu discurso de não ter fins políticos, quando seus ex-integrantes se tornam políticos e defendem sua forma despótica de fazer justiça, sem o acusado ter direito a um juiz imparcial e ao pleno contraditório.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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