No Brasil o voto é secreto e a eleição é um momento de opção pessoal, onde se escolhe o candidato de sua preferência, de acordo com o seu interesse.

As eleições ocorridas no Brasil no dia 02.10 mostraram a força da esquerda, com Lula, e da extrema direita, com Jair Bolsonaro.

O resultado, com a consolidação dos votos, tornou enfadonhas leituras de análises e previsões políticas elaboradas antes da votação, pois, diante dos fatos, todos artigos anteriores se tornaram ultrapassados. As previsões e pesquisas eleitorais são meras conjecturas engolidas pela inexorável realidade da votação.

Nesta eleição tivemos a diminuição de votos do PSDB, com migração para a extrema direita, garantindo a realização de segundo turno para presidente da República e a eleição de diversos expoentes da ala bolsonarista. No Congresso Nacional teremos em 2023 o aumento da influência do Partido Liberal (PL) e diminuição da bancada do PSDB.

Essa onda de eleitos da extrema direita dá voz a milhões de eleitores que acreditam em seus slogans conservadores nos costumes, violentos nas ações e a favor do armamentismo generalizado e irresponsável.

O PSDB boicotou a candidatura a presidente de seu filiado, João Dória Com isso, PSDB teve papel coadjuvante na campanha nacional, perdeu o poder executivo em São Paulo e diminuiu sua bancada no Congresso Nacional. Acredito que Dória poderia ter tido maior número de votos do que Simone Tebet, candidata escolhida pela dita terceira via.

Os governos tentam criar programas para melhor a vida do povo. Uma das maiores realizações dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) foi a criação do programa de renda mínima Bolsa Família em 2003, para atender as famílias mais vulneráveis.

Os bolsonaristas eram críticos do Bolsa Família, mas a partir do final de 2021 e em 2022 viram a possibilidade de usá-lo como estratégia eleitoral para as eleições de 2022. A partir daí, ações consideradas anteriormente crimes eleitorais foram elaboradas e executadas. Tivemos a Constituição Federal remendada para aumentar o valor do Bolsa Família, PECs inconstitucionais foram usadas para liberar dinheiro público (em ano eleitoral), houve furo do teto de gastos. Lembrando, por muito menos, que Dilma Rousseff foi cassada, mas ela não tinha o orçamento secreto para controlar o Congresso.

O voto da maioria dos assistidos pelo Bolsa Família não foi sensibilizado pelos afagados do governo de Jair Bolsonaro (2 reajustes, para R$ 400 e R$ 600). No Nordeste, Lula teve uma grande votação, viram nele uma pessoa mais interessada em melhorar a vida do povo e desconfiaram das ações de fim de mandato de Bolsonaro com intuito eleitoral. A situação talvez fosse diferente, se Bolsonaro tivesse prestado atenção aos mais vulneráveis desde sua posse, em 01.01.2019, e não somente às vésperas da eleição.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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