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Preço alto de combustíveis e greve turbinam conversão para gás veicular

Os últimos aumentos dos preços dos combustíveis e o desabastecimento gerado com a greve dos caminhoneiros fizeram explodir em Minas Gerais um mercado que vinha crescendo desde o início do ano, mas sem imaginar tamanha projeção: os serviços de conversão de veículos para o gás natural veicular, o GNV. Desde segunda-feira (28), a demanda por orçamentos nas oficinas especializadas cresceu cerca de 50% e já há filas de espera de 30 dias para a adaptação dos kits.

Diante da polêmica política de preços da Petrobras, e dos reajustes seguidos dos preços nas bombas das revendas, cada vez mais motoristas tem optado pelo uso do GNV. Nos últimos seis meses, a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) contabilizou mais de 1,6 mil conversões feitas no estado.

A corrida para adaptar os veículos, nessa semana, foi tanta que algumas oficinas funcionaram nessa quinta-feira (31), feriado de Corpus Christi, para conseguir atender à demanda. Foi o caso da Automecânica Instalação Xavier, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O dono, Thalles Alexander Santos Xavier, conta que a procura aumentou 150%. A empresa, que geralmente recebe de sete a oito carros por semana, fez o serviço em 20 veículos durante os dias críticos do movimento grevista dos caminhoneiros. “Tem que trabalhar no feriado, senão não consigo. A oficina está lotada, sai um carro e entram dois”, comemora.

Segundo Thalles Xavier, o cenário de aumentos sucessivos dos preços da gasolina tem empurrado os motoristas à busca de alternativas. “Encareceu demais a gasolina e, com isso, cresceu a demanda para instalar o kit para a conversão. O gás é mais barato e rende um pouco mais que o combustível líquido”, disse. O dono da mecânica observa que o metro cúbico do gás custa, hoje, cerca de R$2,70, enquanto o litro da gasolina custa quase R$5. Além disso, um carro que percorre de 8 a 10 quilômetros com um litro do combustível tradicional rodaria de 10 a 13 km com quantidade proporcional de gás.

“É o medo de ficar sem combustível e a previsão de que a gasolina vai aumentar que está trazendo as pessoas”, avalia. Na Gasflex, em BH, a procura também explodiu nesta semana e não foi possível nem atender a todos os pedidos. Da média diária de 70 telefonemas em que o consumidor busca informações sobre o GNV, a oficina passou a atender em torno de 300 ligações por dia.

“Estou fazendo média de 10 carros por dia. Nossa agenda do mês já está completa, só temos vaga para julho”, conta o dono da empresa, Mauro Bopp. Segundo ele, desde dezembro, quando os aumentos da gasolina ficaram mais frequentes, a busca por converter os veículos tem crescido e o faturamento da Gasflex já cresceu mais de 100%.

Bopp diz que o gás costumava ser um combustível marginalizado nma visão do consumidor, com fama de provocar defeito nos motores, mas essa cultura já está mudando. “Isso não é verdade, porque o kit atual funciona na gasolina e quando o carro esquenta passa para o gás. O carro continua bicombustível, rodando a gasolina, álcool e gás”, explica. A conversão feita na Gasflex custa, hoje, R$ 4,5 mil para os carros de passeio. Na mecânica de Thalles Xavier, o custo é de R$ 3,8 mil. Se a opção for o kit antigo, para carros fabricados antes de 2000, o valor é R$ 1,8 mil.

O Kit comum, usado em carros antigos, é mais barato por ser uma adaptação. O novo e mais caro, chamado de 5ª geração, segundo os mecânicos, consiste numa central própria computadorizada e o carro reconhece melhor o sistema, por isso, o equipamento não afeta tanto a potência do carro.

Na balança

O empresário Wellington Mayrink Dias, 49 anos, recebeu nessa quinta o carro Polo Sedã convertido para o gás da oficina que contratou para o serviço. Ele tentou contato em sete empresas da Grande BH até conseguir uma vaga. “Já queria fazer a algum tempo, para economizar um pouco. Logo que começou essa greve (dos caminhoneiros), os preços aumentaram muito e surgiram as filas, resolvi não adiar mais”, disse. Mayrink conseguiu comprar um kit usado por R$2 mil e a instalação custou ao redor de R$650.

Para o empresário, o investimento vale a pena. “Você faz economia de mais ou menos 30% na despesa com combustível e não fica refém, todo dia, de aumentos de gasolina e, agora, também dessas filas” disse. A desvantagem é que, para quem tem carro hacth, cerca de 70% do espaço do porta-malas será perdido. Nos veículos sedã, será 30% de perda. Há quem considere também a desvalorização do veículo porque é preciso furar a lataria, alterando as características originais do carro.

A procura por informações sobre o carro elétrico, outra opção para quem não quer ficar refém da gasolina, aumentou, da mesma forma, em Belo Horizonte na loja da Toyota, que comercializa o único veículo do tipo vendido no Brasil, o Prius. “A gente recebeu ligações, esta semana, de gente procurando se informar. Muitos pensam que o carro funciona só na base da eletricidade e, na verdade, não é assim. Ele precisa também de combustível, e a gente explica que são dois motores, um elétrico e outro a combustão, sendo que um alimenta o outro”, explica o executivo de grandes contas da revendedora, Wellington Acácio Vieira da Silva.

Segundo ele, a Toyota comercializa o Prius desde 2013 – o carro custa de R$ 120 mil a R$ 128 mil – e deve trabalhar com um Corolla elétrico a partir de 2020. A expectativa é de que o preço baixe se a pressão feita junto ao governo federal para reduzir a taxa da importação do veículo surtir efeito. “Enquanto as outras montadoras investem em motores menores e turbo, a Toyota está indo para esse lado mais sustentável de motores híbridos. Tem crescido muito o interesse por eles”, afirma.

Campanha dá bônus a motorista
A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) lançou campanha de incentivo à conversão dos veículos para o GNV em dezembro do ano passado. A promoção GNV Roda Mais oferece R$2 mil de bônus em dinheiro creditado no cartão para os primeiros 4 mil veículos que fizerem o procedimento em uma das oficinas convertedoras parceiras, homologadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) – atualmente são 10 em MG e há mais 4 em processo de homologação. Até agora, a adesão foi de 1,6 mil veículos, sendo que 73% dos participantes são motoristas de aplicativos, taxistas, frotistas, representantes comerciais e profissionais liberais.

Belo Horizonte conta, hoje, com 21 postos que fornecem o GNV e uma frota de 11.335 veículos movidos a gás. Em todo o estado, são 54 postos que fornecem combustível 24 horas por dia, já que o abastecimento é feito por meio de gasodutos. De acordo com a Gasmig, o volume de vendas de GNV cresceu cerca de 26% nesses últimos dias. O recorde do volume diário de vendas foi observado na segunda-feira, quando foram comercializados 162,4 mil metros cúbicos.

O Rio de Janeiro teve os mesmos 50% de aumento na procura pela conversão dos veículos nesta última semana e, em São Paulo, o incremento foi de 50%. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Gás Canalizado (Abegás), o consumo médio do combustível em abril chegou a 5,9 milhões m³/dia em todo o Brasil, representando crescimento de 12,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A Abegás faz algumas recomendações ao consumidor que deseja converter seu veículo para o abastecimento a gás. É preciso instalar o Kit GNV em oficinas homologadas pelo Inmetro e se informar sobre qual o modelo mais adequado para o veículo. Depois de instalado o equipamento, é preciso fazer a inspeção veicular e retirar o certificado de segurança, depois da vistoria. Com isso, e o documento original do veículo em mãos, é preciso atualizar a documentação junto aos Detrans (os departamentos estaduais de trânsito). (JC)

Em Formiga, nenhum posto de combustível comercializa o GNV.

 

Fonte: Estado de Minas ||