A presidente Dilma Rousseff (PT) inicia a semana com a expectativa de que até o fim dela não esteja mais à frente do Palácio do Planalto. Cento e 10 dias depois de o pedido de impeachment contra ela ter começado a tramitar na Câmara dos Deputados, Dilma deve ser afastada até a quinta-feira por até 180 dias, período em que corre seu processo e julgamento pelo Senado Federal. Assim como ocorreu com os deputados federais, os senadores provavelmente aprovará, com folga, a admissão do processo por crime de responsabilidade contra ela, na sessão marcada para quarta-feira, mas com previsão de durar pelo menos 20 horas.

A petista disse no sábado que o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), que assumirá no caso de seu afastamento, vai tentar acabar com os programas sociais. Apesar do tom de despedida no discurso, ela afirmou que vai resistir até o fim. Na sexta-feira, ao visitar o sertão pernambucano, Dilma garantiu que não vai renunciar ao cargo, mesmo que o pedido de impeachment seja aceito pelo Senado. A petista afirmou que não seria ela a sujeira a ser “colocada debaixo do tapete”. “Vou ficar brigando porque sou a prova da injustiça”.

A comissão especial do Senado aprovou o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) pela aceitação da denúncia na sexta-feira com um placar de 15 votos a 5. No plenário, basta que a maioria simples, estando presentes pelo menos 41 dos 81 senadores, acate o relatório para que Dilma seja afastada temporariamente. Levantamentos divulgados dão conta de que pelo menos 50 senadores seriam favoráveis ao impeachment.

A sessão marcada para quarta-feira, que conclui a fase de admissibilidade do processo, pode durar cerca de 20 horas e se estender até quinta, quando ocorre de fato a votação. Ainda não se sabe se vai haver 30 minutos para uma exposição da acusação e 30 minutos para a defesa de Dilma. Depois disso, cada um dos senadores, exceto o presidente da Casa, Renan Calheiros, terá 15 minutos para discursar. Em seguida, será a vez dos líderes dos 17 partidos com assento no Senado usarem a palavra para orientar o voto de suas respectivas bancadas. Depois que o plenário votar, será instaurado o processo de impeachment contra Dilma e, a partir daí, ocorre a instrução para julgamento.

 Maratona

Na Câmara dos Deputados foram três dias até que a admissibilidade do impeachment fosse aceita com 367 votos favoráveis e 137 contrários. Os debates começaram na sexta-feira pela manhã, com as falas da acusação e da defesa, e se prolongaram por 43 horas. Depois de confirmada a aceitação da denúncia pelo Senado, Dilma terá 20 dias para apresentar a defesa. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, assumirá a condução dos trabalhos. Nesta etapa são feitos os interrogatórios e apresentadas as provas. A presidente Dilma pode optar por ser ouvida pelos senadores ou não.

 

Porém, antes de decidir o futuro da presidente, os senadores deverão se debruçar sobre outra questão relevante hoje: a cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deverá aprovar o parecer do Conselho de Ética da Casa que recomenda a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar, atestando a constitucionalidade do processo. Com isso, o plenário poderá votar, amanhã, se cassa o senador, que foi flagrado em conversa com o filho do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, oferecendo propina e um plano de fuga para que Cerveró não firmasse acordo de delação com o Ministério Público na Lava-Jato.

 Pedalada

A presidente passou o Dia das Mães em Porto Alegre, onde andou de bicicleta ontem de manhã. Depois, recebeu homenagem de 50 simpatizantes que se reuniam em frente ao prédio onde ela estava. Dilma deve acompanhar a votação no Senado em jantar organizado pelo ex-presidente Lula. Se o afastamento for confirmado apenas na manhã de quinta-feira, Dilma será notificada a deixar o Palácio do Planalto na sexta.

 

 

Fonte: Estado de Minas ||http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/05/09/interna_politica,760470/uma-semana-de-cinco-anos.shtml

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