Às vésperas da chegada do inverno, Belo Horizonte registrou média de um atendimento a cada 40 segundos a pessoas com sintomas de doenças respiratórias, entre abril e maio deste ano. Ao todo, mais de 134 mil pessoas buscaram por assistência médica no período. Os dados foram divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS-BH) nesta quinta-feira (13 de junho), que admite risco de aumento de casos com a chegada do inverno e diminuição das temperaturas na cidade.

“O comportamento da curva de doenças respiratórias em 2024 se assemelha ao de 2023, com maior número de casos em abril e estabilidade de casos em maio. A tendência é que neste mês os casos também se mantenham. Isso está relacionado à chegada do outono e ao tempo seco. Com as temperaturas voltando a cair pode ser que enfrentemos mais um mês de aumento de casos e internações nos extremos de vidas, que são crianças menores de 4 anos e pessoas idosas”, alerta o secretário municipal de Saúde, Danilo Borges.

Nos primeiros onze dias de junho, conforme levantamento parcial da SMS-BH, mais de 17 mil assistências já foram anotadas – uma média de um atendimento a cada um minuto. Segundo o secretário de Saúde, os números podem indicar uma mudança de comportamento das doenças respiratórias após a epidemia de Covid-19, que antes registravam pico apenas no final de junho e julho. “Pode ser que o pós pandemia explique isso. Durante a pandemia a principal faixa etária atingida, que são as crianças, ficaram em isolamento e não tiveram contato com esses vírus e assim adquiriram uma imunidade maior”, avalia.

A SMS-BH também não descarta a possibilidade de aumento dos casos com a chegada do inverno, marcado para começar no próximo dia 21 de junho. Por isso, o secretário reforça a importância da imunização, principalmente de crianças menores de 4 anos e de idosos, que também lideram a demanda por internações. Do total de internações na cidade, 35% são para pessoas acima de 60 anos e 31% para crianças de até 4 anos.

“Os dois grupos podem receber as vacinas da gripe e covid. A vacina é importante porque contém a imunização contra a maior parte dos vírus em circulação no momento. Ainda estamos com índices baixos e por isso reforçamos a necessidade dos pais e responsáveis se vacinarem e levarem as crianças aos postos”, alerta Danilo Borges.

Apesar do número de atendimentos, a PBH afirma que há tendência de queda nas solicitações para internação por doenças respiratórias.

Vacinação

Até o momento já foram aplicadas cerca de 570 mil doses da vacina contra a gripe na população a partir de 6 meses. A campanha foi prorrogada até a duração do estoque do município, que atualmente está em cerca de 500 mil doses. Considerando o grupo prioritário pelo Ministério da Saúde, já foram aplicadas 294 mil doses, o que corresponde a 49% de cobertura.

Já com relação à vacina monovalente contra covid-19, já foram aplicadas 46 mil doses. A vacina é aplicada em grupos específicos, de acordo com critérios do Ministério da Saúde.

Tosse e dificuldade de respirar são os principais vilões

Tosse, secreção pelo nariz e dificuldade para respirar estão entre os principais sinais descritos por pais de crianças que procuram atendimento na capital. O vendedor Rogério Tanor Bié, de 45 anos, buscou assistência médica para o filho, de apenas um ano de idade, na Upa de Venda Nova. O pequeno precisou passar a madrugada desta quinta-feira (13 de junho) na unidade por suspeita de pneumonia. “Ele começou a apresentar secreção, respiração ofegante, febre muito alta, tossindo muito e pele ficando vermelha. Chegamos aqui às 14h (de quarta-feira) e estamos até agora. Agora ele será transferido para um hospital”, relatou.

Assim como Rogério, a microempresária Franciele de Lima, de 29 anos, também foi à unidade em busca de socorro para o filho recém nascido, Noah. Prestes a completar dois meses de idade, o bebê começou a tossir muito e aguardava por atendimento especializado. “Ele perdeu a voz e chora muito, mas o choro sai rouco. Isso acendeu o alarme na gente e trouxemos ele para cá”, disse.

A procura por atendimento médico devido a sintomas respiratórios também ocorre entre os adultos. Há quase uma semana, a trabalhadora de serviços gerais Adriane Nunes Rodrigues, de 45 anos, tenta se livrar da falta de ar, dores no peito e nas costas e tosse. Os sintomas começaram ainda na sexta-feira (7). A mulher reclama do tempo de atendimento que teve no domingo (9), primeiro dia em que buscou atendimento.

“Cheguei por volta de 13h30 e só fui embora às 19h30. Mas não tem o que fazer”, lamenta a mulher, que foi diagnosticada com bronquiolite, doença que infecciona as vias nasais. Como os antibióticos receitados tiveram efeitos colaterais, ela precisou retornar ao local e aguardar mais 3h para ser atendida.

Fonte: O Tempo

 

 

COMPATILHAR: