No dia 30 de setembro, o presidente russo Vladimir Putin fez uma grande celebração em que assinou a anexação dos territórios separatistas da Ucrânia. Dizem que Putin é um grande estrategista, assim, parece que a data foi escolhida e não um mero acaso.

Em 30 de setembro de 1.938, foi assinado o Tratado de Munique que permitiu à Alemanha nazista anexar a Checoslováquia, assinado por Adolf Hitler, Benito Mussolini da Itália e os chefes de governo da França, Édouard Daladier, e da Inglaterra, Neville Chamberlain. Franceses e Britânicos esperavam apaziguar Hitler, mas abriu caminho para a Segunda Guerra Mundial no ano seguinte, conforme fora previsto por Winston Churchill: “entre a guerra e a desonra, escolheram a desonra, e terão a guerra”.

Putin iniciou sua guerra de conquista para incorporar toda a Ucrânia em 24 de fevereiro, sua última oportunidade, já que este país manifestara sua intenção de filiar-se à Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. Com a saída da Angela Merkel, a única líder ocidental com inteligência suficiente para emparedar Putin, somado à grande dependência da economia europeia ao petróleo, gás e carvão russos, Putin viu a última oportunidade para anexação da Ucrânia. Estava nos planos também anexar a Transdnístria, parte da Moldávia que tem muitos russos habitando ali. Seria a versão russa do “blitzkrieg” nazista.

Mas o imponderável costuma surpreender, às vezes com um inverno russo, outras com a eleição de um presidente americano que preza a hegemonia dos Estados Unidos, e a presença de um cômico na presidência. Acontece que comediante é ator, arte que faz rir mas pode fazer chorar. Assim, Volodymyr Zelensky fez o seu melhor papel: convencer ucranianos a lutar por sua identidade e o mundo ocidental a financiar a defesa da liberdade.

Certamente, a OTAN escalou seus melhores generais, estrategistas de guerra e de mercado, sociólogos e psicólogos, encheu as Forças Armadas da Ucrânia com mísseis portáteis Javelin que destroçaram a divisão de blindados russa e os drones Switchblade, também conhecido como kamikaze, já que se destrói no ataque, e vão ceifando as vidas dos soldados.

Como já intuía no meu artigo “O Ódio ainda domina a humanidade” de abril, o palco de guerra foi dentro do território ucraniano para minar a confiança e o suporte do povo russo ao Putin. Parece que está funcionando.

Em 10 de setembro, os ucranianos iniciaram uma grande ofensiva para retomar os territórios rebeldes e sob controle dos russos. Diante da iminente derrota, Putin realiza o plebiscito fajuto e declara agora que é território da Rússia e que utilizará bombas atômicas para defender-se, além de convocar 300 mil reservistas.

O povo russo entra em desespero, iniciam os protestos cujo fim previsível é a prisão e quem pode, foge pelo aeroporto ou pelas fronteiras abertas. O russo sabe que não existe arma nuclear tática, isto é somente para destruir cidades, matar em massa, como se fez em Hiroshima e Nagasaki, certamente escolhidas por serem as cidades que mais tinham católicos no Japão. Por qual critério nuclear quer Putin entrar na história?

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