O resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010 divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Ministério da Educação (MEC) evidencia a discrepância entre a qualidade dos ensinos público e privado do Brasil. No ranking das 20 melhores escolas avaliadas, apenas duas são públicas.
A distância entre o desempenho dos alunos das redes pública e privada tende a crescer, já que. Segundo especialistas, o Enem perdeu o foco inicial de avaliar a qualidade do ensino médio para balizar o investimento na educação básica e se restringiu a se transformar em um grande vestibular.
Pelos números divulgados, 80% das escolas públicas não atingiram o índice médio de 511,21 num total de mil pontos distribuídos nas provas objetivas, enquanto o melhor resultado, em um colégio particular do Rio de Janeiro, o índice chegou a 761,7 pontos. Na outra ponta, todas as 20 piores escolas são públicas, assim como as cem unidades com notas mais baixas. Entre as mil escolas com piores médias, 995 são públicas e apenas cinco, privadas. Ao todo, 3,2 milhões jovens do ensino médio fizeram os testes. Para os que estão no último ano, o resultado médio geral foi de 553,73 pontos.
Com o resultado, a avaliação do professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Ocimar Alavarse, é que os alunos matriculados em escolas públicas teriam que estudar pelo menos mais dois anos para alcançar os da rede particular. Segundo ele, ao sair da escola pública, o aluno do ensino médio tem a formação que deveria apresentar ao deixar o ensino fundamental. O Enem confirma a defasagem já apontada em outras avaliações, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O governo e os Estados, responsáveis por 97,5% da rede pública, precisam articular uma reforma profunda.
A diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Brasília (UnB), Carmenísia Aires, é outra que lamenta que o exame tenha se desvirtuado da sua finalidade inicial. O Enem foi criado, principalmente, para avaliar o ensino médio e deveria servir de base para políticas públicas. No entanto, hoje atua quase que exclusivamente como uma prova de vestibular.
Para Nélio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, a comparação entre as duas redes chega a ser uma perversidade. Você pode avaliar os alunos, mas não pode comparar as escolas porque é uma injustiça com as públicas que não estão preparadas para que seus alunos façam o Enem.

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