A mesa administrativa nomeada para assumir a Santa Casa de Formiga após a intervenção judicial se reuniu na manhã desta quarta-feira (31) com representantes da imprensa da cidade para divulgar o balanço dos trabalhos por ela realizados desde a nomeação, no último dia 19.
Os graves problemas financeiros da entidade foram reafirmados e detalhados. Após levantamentos feitos junto ao departamento fiscal da Santa Casa, foi contabilizada uma dívida de pouco mais de R$16 milhões. Desse total, R$12 mi são de empréstimos bancários que resultam em débito mensal na folha da entidade de cerca de R$300 mil. Muitos desses empréstimos foram avalizados pelos antigos provedor e vice-provedor da entidade (Geraldo Couto e João Reis, respectivamente). A dívida no cheque especial está próximo de R$1 milhão, segundo informou a comissão.
Outra dívida preocupante é com o Centro Nefrológico de Formiga, cujos valores já recebidos e ainda não repassados pela Santa Casa, com juros, podem chegar a R$1 milhão. O caso já está na justiça que poderá determinar, a qualquer momento, que a entidade faça o devido repasse. Além deste valor há ainda que se considerar outro não ajuizado que pode chegar a 400 mil.
Em contrapartida, a entidade tem a receber apenas de R$3 milhões. São R$2.473. 120,68 da Secretaria de Estado de Saúde e R$723.446.00 do município. Porém, não há previsão para que esses pagamentos sejam realizados a curto prazo.
Para o primeiro-secretário da mesa administrativa, Calos Lamounier, se não forem injetados na entidade, pelo menos R$3 milhões nos próximos dias, há sim a possibilidade de interrupção de atendimento na Santa Casa. ?A meu ver, sem esse montante não há condições de garantir atendimento e nem mesmo que a Santa Casa continue funcionando. Já no início de janeiro temos o desafio de pagar os funcionários e não há dinheiro em caixa para isso?, comentou Carlos que, como já noticiado pelo Últimas Notícias, confirmou que nos últimos meses, o pagamento só vinha sendo feito graças à busca de crédito em bancos. Para tentar resolver o problema, o provedor Rui Sobreira se reunirá com o prefeito Moacir Ribeiro nos próximos dias, para que a dívida do município com a entidade seja resgatada, possibilitando o pagamento aos funcionários.
Já o pagamento de médicos plantonistas está em atraso há meses, o mesmo acontece com fornecedores. O resultado é a dificuldade de trabalho por falta de material e a grande possibilidade de que os médicos deixem de atender no hospital e gerem ainda mais lacunas nos atendimentos.
UPA de Divinópolis
Além da óbvia obrigação de prestar atendimento aos pacientes de Formiga e cidades vizinhas, já que após a expansão a entidade passou a atender a macrorregião, a Santa Casa, como empresa, venceu uma licitação onde se responsabilizou a coordenar a Unidade de Pronto Atendimento de Divinópolis. Um contrato no valor máximo de R$95 milhões com duração de cinco anos está em vigor. ?Temos analisado friamente esse contrato, pois ele não tem sido rentável para a Santa Casa que recebe, mas repassa os valores para pagar funcionários e empresas contratadas para prestar alguns serviços na UPA, sem ter um lucro que compense o risco do contrato?, comentou Carlos Lamounier. A multa em caso de rescisão é de 5% do valor total do contrato.
As cidades de Pimenta e Córrego Fundo também possuem contratos com a Santa Casa, mas não há detalhes, ainda, sobre como o serviço é prestado.
Empresas do ex-provedor
O que deverá chamar a atenção da justiça, é que uma das empresas contratadas pela Santa Casa para prestar serviços pertence ao Geraldo Couto: A GMC Saúde, que possui dois contratos com a entidade e que recebeu de janeiro a novembro deste ano cerca de R$920 mil. Pagamentos que, diferente do que ocorre com a maioria dos contratos, são os únicos que estão em dia.
A empresa funciona na rua Dr. Teixeira Soares, 359, sala 02. Mesmo endereço de outra empresa, a H&J que também presta serviços à Santa Casa e que tem como proprietárias, Helenice Rosa Miranda e Júnia Batista Caetano, cujo contrato é no valor de R$13.400 mil/mês, mas que nos meses de maio e junho recebeu o pagamento de R$59 mil e R$67 mil respectivamente, totalizando de maio a novembro R$ 197.866.
No mesmo prédio, porém na sala 6, há uma terceira empresa que presta serviços à entidade, esta de propriedade de um dos filhos do ex-provedor.
Como a função (levantamentos) delegada à nova mesa administrativa está apenas na fase inicial, seus membros não quiseram falar se encontraram ou não indícios de ilegalidades, mas garantem que está comprovada uma forma de gestão, no mínimo temerária, que tem levado à Santa Casa a um aumento desenfreado e descontrolado de dívidas que em pouco mais de dois anos saltaram de R$3 milhões para os atuais R$16 milhões.

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