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Servidores do INSS apontam diretora de TI como responsável pelo aumento da fila; Lea Bressy rebate acusações

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil-R7

A crise envolvendo o crescimento da fila de requerimentos no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ganhou novos capítulos em novembro. Servidores da autarquia apontam a diretora de Tecnologia da Informação, Lea Bressy, como responsável pelo aumento da demanda, que chegou a 2,86 milhões de processos aguardando análise em outubro.

Lea, servidora de carreira, foi presidente interina do órgão durante as férias de Gilberto Waller, atual chefe da autarquia. Ela é vista por parte dos servidores como nome apoiado pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, para assumir a presidência do INSS.

Em entrevista ao R7 Planalto, Lea negou as acusações e disse não saber o que motivou a ruptura entre o Ministério da Previdência e o INSS. A diretora defendeu uma solução rápida para o problema em benefício dos aposentados e demais segurados.

Acusações de servidores

Fontes ouvidas sob reserva afirmam que Lea teria permitido o crescimento da fila para fragilizar Gilberto Waller. Segundo os relatos, a diretora teria atuado em duas frentes: avisando tardiamente sobre o fim do orçamento destinado ao programa de redução de filas e permitindo atrasos na entrega de um sistema da Dataprev.

O sistema precisava ser ajustado após mudanças na legislação do BPC (Benefício de Prestação Continuada), que passou a incluir a renda de outros benefícios. Em julho, 191 mil requerimentos aguardavam análise; em outubro, o número saltou para 660 mil.

De acordo com levantamento do INSS, cerca de 1,94 milhão de processos estariam sob responsabilidade do Ministério da Previdência, por questões de perícia médica, ou da Dataprev.

Defesa da diretora

Lea afirmou que manteve reuniões constantes com a Dataprev para cobrar a entrega do sistema, embora esses encontros não constem em sua agenda pública. Segundo ela, em agosto houve reuniões semanais, em setembro duas e, em novembro, três. A diretora informou que o sistema foi homologado e liberado para funcionamento em 2 de dezembro.

Ela também destacou a redução de instabilidades nos sistemas do INSS, que caíram de 224 em julho para 63 em novembro.

Orçamento e críticas

Servidores também acusam Lea de não avisar sobre o fim do orçamento para redução de filas. A diretora rebateu, afirmando que o recurso estava sob responsabilidade de duas diretorias e que o tema foi discutido em diversas reuniões.

A ausência de Gilberto Waller, que estava de férias na semana em que o orçamento se esgotou, é apontada como fragilidade pela equipe do ministro Wolney Queiroz. Próximos a Gilberto, no entanto, afirmam que ele conseguiu levantar R$ 63 milhões junto à Casa Civil para manter o programa de bonificação e redução de filas.

Nomeações e ruptura

Até novembro, Lea era considerada aliada de Gilberto. O cenário mudou quando, como presidente interina, ela deu andamento a nomeações de pessoas sob investigação. Entre elas, Weslley Martins, indicado para coordenador de Gestão do Relacionamento com o Cidadão, que teria assinado acordos com entidades ligadas a políticos e investigados pela Polícia Federal.

O processo foi classificado como restrito no mesmo dia em que começou a tramitar, dificultando o acesso às informações. Lea também encaminhou a nomeação de Yveline Barretto Leitão, sua aliada, como diretora.

Questionada, Lea afirmou que apenas deu sequência a processos já em andamento e que as indicações vieram do Ministério da Previdência.

Acusações de machismo

A diretora também mencionou que parte das críticas contra sua atuação teria motivação de cunho machista, reforçando que apenas cumpriu suas atribuições legais enquanto esteve à frente do INSS.

Com informações do R7