Levantamento feito pelo Sindicato dos Laboratórios de Minas Gerais (Sindlab) serve de alerta para o setor no Estado, que abriga aproximadamente 10% dos laboratórios clínicos do país. Dos cerca de 1.600 estabelecimentos em atividade em Minas, apenas a metade passa por controle de qualidade externo – em comparação com o desempenho de outros laboratórios – e 30% têm controle interno, ou seja, quando o próprio laboratório faz a verificação das amostras.
Resultados das análises sem conferência aumentam as chances de diagnósticos errados. De acordo com o Sindlab, são 1.177 tipos de testes possíveis, sendo que 65 deles representam 85% do total.
Para piorar, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) informa que apenas 2% dos estabelecimentos são submetidos a auditorias externas, que são voluntárias e apontam a qualidade dos serviços prestados pelo laboratório, desde o trato com os pacientes até o atendimento.
Os laboratórios exercem importante papel na cadeia de assistência à saúde. As informações contidas em resultados de exames ajudam os médicos na confirmação de diagnósticos, na escolha e no monitoramento de tratamentos, assim como na determinação de fatores de riscos à saúde, ressalta o diretor de Acreditação e Qualidade da SBPC/ML, Wilson Shcolnik.
O pouco cuidado pode explicar os vários processos existentes contra laboratórios no país. Entre 2000 e 2007, houve 1.509 ações, segundo pesquisa nacional feita pelo bioquímico Humberto Tibúrcio, presidente do Sindlab. Atualmente, o sistema do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) não permite distinguir quantos processos foram abertos sobre esse tipo de erro apenas no Estado. No entanto, Tibúrcio acredita que a média de processos tenha, no mínimo, se mantido atualmente.
Equívocos como trocas de dados de pacientes acontecem. Apesar de não ter um número exato, o presidente do Sindlab afirma que a maioria dos processos é referente a erros em testes como de HIV, HPV, toxoplasmose e rubéola. Tibúrcio explica que muitos exames têm limitações metodológicas e fatores que podem gerar resultados falso-positivos. Somente o teste do HIV, por exemplo, tem 71 fatores, como gravidez, lúpus e sífilis e até uso de maconha.
Cabe ao Estado fiscalizar os estabelecimentos. As secretarias de Saúde de Belo Horizonte e do Estado informaram que realizam inspeções de rotina nos laboratórios que estão sob suas responsabilidades.
Formiga
Só metade dos laboratórios tem controle de qualidade
- por Últimas Notícias
- 16/04/2012 - 11:59
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