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Sob ataque, Lava Jato clama por vigilância da população

(Foto: Reprodução/ABr)

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O alerta foi dado: se a população não se movimentar contra o governo de Michel Temer (PMDB) e seus aliados no Congresso Nacional, a operação Lava Jato pode estar aproximando-se do fim. “Políticos querendo dificultar investigações. Se não formos vigilantes, acontecerá no Brasil o mesmo que aconteceu na Itália, onde hoje é mais difícil investigar e punir um corrupto do que era antes da operação Mãos Limpas. Ninguém pode substituir a população na luta por um país melhor”.
O texto é mais uma das inúmeras recentes postagens do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa de Curitiba, que adotou as redes sociais como arma para defender a Lava Jato dos últimos ataques.

A mais recente investida contra a operação foi a extinção do grupo de trabalho da Polícia Federal em Curitiba, capital que originou e que concentrava a força-tarefa que investiga crimes de corrupção na Petrobras. Com o apoio de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da base no Congresso, o presidente, denunciado pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, é acusado de querer implodir as investigações.

Em entrevista ao portal  O Tempo, o procurador ainda se diz otimista. Outros especialistas vão na mesma linha quanto ao andamento dos trabalhos, a despeito das últimas decisões do STF. Neste ano, a Corte libertou peças centrais das investigações, como o empresário Eike Batista, o ex-ministro José Dirceu (PT) e o pecuarista José Carlos Bumlai.

Mais recentemente, o relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, concedeu prisão domiciliar a Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer flagrado correndo com uma mala recheada com R$ 500 mil, dificultando a negociação de um possível acordo de colaboração premiada.

Também foi iniciativa de Fachin redistribuir os oito inquéritos que pesam sobre o senador Aécio Neves (PSDB). Agora, o tucano, além de sua irmã Andrea Neves, seu primo Frederico Pacheco e Mendherson Souza Lima – que agora cumprem prisão domiciliar –, terá seu futuro nas mãos de ministros como Alexandre de Moraes (ex-PSDB), Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello. Este último, além de negar a prisão de Aécio, ainda devolveu a ele o mandato no Senado.

“O problema é o uso da circunstância parlamentar para fomentar atitudes contra a investigação. Temos receio de que, até a próxima eleição, tenhamos a aprovação, por exemplo, de uma lei de anistia que, simplesmente, signifique o fim das investigações”, afirmou o procurador de Curitiba.

Semelhanças

 A operação Mãos Limpas, investigação ocorrida na Itália no anos 1990 que inspirou a Lava a Jato, durou cerca de sete anos e chegou ao fim pela falta de apoio popular. Essa é a versão de Gherardo Colombo, ex-magistrado da Corte Suprema italiana. Segundo ele, a Justiça sozinha é incapaz de derrotar a corrupção. “No início, eram todos entusiastas. Quando a operação se expandiu, perdeu força”, explicou.

Promotor de Justiça de São Paulo e doutor em direito pela USP, Roberto Livianu acredita que o momento é mesmo de apatia da sociedade. No entanto, ele, que é presidente do instituto Não Aceito Corrupção, garante que um chamamento em defesa da Lava Jato pode mudar o quadro. “Hoje, estamos assistindo a um momento de apatia em relação aos movimentos sociais. Não vemos as pessoas nas ruas, o que, aliás, acho lamentável. Mas tenho certeza de que, se houver uma convocação, se a pauta for defesa à operação, as pessoas irão às ruas”, afirmou Livianu.

Saldo. A operação investigou 4.500 pessoas, indiciou 3.200 e obteve cerca de 1.300 condenações, redefinindo o mapa político da Itália e causando a extinção de dois tradicionais partidos.

 

Risco iminente

“As investigações estão sempre correndo risco, e o risco maior hoje se encontra no Congresso Nacional, nas atitudes que o Legislativo vai tomar em relação à operação Lava Jato e aos crimes de corrupção.”
Carlos Fernando dos Santos Lima
Procurador da Lava Jato

“Os trabalhos feitos na calada da noite por parlamentares no Congresso evidenciam um processo de absoluto descolamento dos representantes de seus representados.”
Roberto Livianu
promotor de Justiça

 

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Fonte: O Tempo ||