A necessidade de recorrer ao cheque especial alcançou até os mais ricos em Belo Horizonte. Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) mostra que o número de pessoas com renda superior a dez salários mínimos recorrendo ao cheque especial passou de 10,9% para 16,4%, de abril para maio.

O levantamento mostra que tanto ricos quanto pobres ficaram mais endividados desde o início do ano. Entre as pessoas com renda superior a dez salários, 27,7% dizem estar com contas atrasadas; entre os mais pobres, são 45,9%. Em janeiro, a pesquisa indicou que esses percentuais eram de 41,6% para aqueles com renda acima de dez salários e de 22,3% para os que recebem menos.

Mafalda Valente, economista e professora das Faculdades Promove, explica que a inflação dos últimos meses contribuiu para o descontrole das dívidas. O IPCA, divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira (9), alcançou 11,73% nos últimos 12 meses.
“Os preços sobem, o custo de vida fica mais elevado, mas as pessoas não diminuem o consumo; então acabam se endividando sem nem perceber”, explica a economista.

São várias as razões que explicam o endividamento, mas a principal é a falta de planejamento, explica a economista. “Gastar menos do que a gente ganha é uma regra que a gente precisa seguir sempre. Mas as pessoas às vezes se esquecem ou ignoram”, destaca.

É o caso de M., servidor público que recebe mais de R$ 14 mil mensais e pediu anonimato. Ele conta que o endividamento começou com empréstimos e saiu do controle. “Essas coisas acontecem sem a gente perceber. A gente sabe que está com problemas e não consegue evitar que a situação se complique”, diz.

“Já tive que acionar a Justiça duas vezes para resolver negociações com os bancos e tentar reduzir juros. Mas acaba que a gente entra de novo no cheque especial para rolar dívidas e a situação sai do controle”.

A economista da Fecomércio Gabriela Martins explica que, apesar do cheque especial ter um dos maiores juros do mercado (125,49% ao mês, em média), essa modalidade de crédito ainda apresenta um custo menor do que o rotativo do cartão de crédito (399,91%, em média). Dessa forma, para essas famílias, pode se tornar preferível a utilização de uma parcela do cheque especial disponível por um curto período de tempo para evitar entrar no rotativo do cartão de crédito.

Risco Moradia

Projeto aprovado na Câmara no início de junho (1º) permite que as instituições bancárias possam penhorar imóveis, mesmo quando são o único bem da família.

“Se a legislação se alterar, as pessoas poderão ter a própria casa penhorada para pagar as dívidas, o que aumenta a necessidade de atenção”, destaca Mafalda Valente, economista e professora do Promove.

Para entrar em vigor, o projeto precisa passar pelo Senado e ser sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Atualmente, o imóvel de família é, em regra, impenhorável. Só pode ser leiloado em caso de inadimplência do próprio financiamento imobiliário. Outros casos de penhora dependem de decisão judicial e do valor do imóvel.

Fonte: Hoje em Dia

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