Formiga

TIM enxuga quadro de funcionários e pode ser vendida

A TIM Brasil está em processo de contenção de custos e de enxugamento no quadro de funcionários. Lojas próprias são fechadas e centenas de demissões ocorrem em todo o país. As mais recentes foram em Goiânia, onde 36 pessoas foram dispensadas, segundo um ex-funcionário que pediu anonimato. Desde janeiro, estão reduzindo o número de funcionários. Foram mais de 40 pessoas na TIM Centro-Oeste, entre cargos de coordenador, analista, consultores e diretores, pois a regional está se fundindo com a TIM Centro-Sul, revela a fonte.
Nos corredores da empresa e no mercado financeiro, os rumores são de que a operadora estaria se preparando para uma possível venda até o primeiro semestre de 2010. Essa não é a primeira vez que a operadora de telefonia é alvo de especulações desse tipo. Desde 2007, quando a espanhola Telefónica passou a ser parte do controle da empresa italiana, essa possibilidade vem à tona.
A operadora já disse publicamente que está em processo de reestruturação, desde que assumiu a presidência o italiano Luca Luciani. As diretorias foram reduzidas de 18 para 10, todos os altos executivos e gerentes foram substituídos e, de um quadro de 10 mil funcionários, mil foram demitidos e 800 contratados.
A Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel) alerta, porém, que essa mudança tem efeito cascata até as lojas e centrais de atendimento ao cliente. Sabe-se que vão fechar 50% das lojas próprias. A justificativa é prejuízo, pois, segundo a empresa, as lojas não estariam tendo a rentabilidade esperada, afirma Brígido Ramos, presidente da Fittel e do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Distrito Federal (Sinttel-DF). Alguns pontos de lojas próprias estariam sendo terceirizados.
Em cada estado, a TIM fechou pelo menos uma loja, observa Luzenira Linhares, diretora-executiva da Fittel, que coordena as negociações com a TIM em nível nacional e preside o Sinttel-Paraíba. Só no Nordeste, o fechamento de lojas em estados como Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco provocou a dispensa de 100 trabalhadores.
Minas
Segundo Juan Sanchez, da Fittel, que também integra a comissão de negociações com a operadora italiana, as demissões no primeiro trimestre concentraram-se na Região Nordeste, no segundo trimestre, no Sudeste e no terceiro, no Centro-Oeste. Estão fazendo o processo a conta-gotas, para não caracterizar demissão em massa. É um plano macabro de demissões regulares, lamenta. Em Minas Gerais, o número de demissões homologadas no Sinttel-MG de janeiro a setembro foi de 122. Durante todo o ano de 2008, foram 75. É quase o dobro, observa o diretor-executivo Alexandro Luiz dos Santos.
Fontes do mercado afirmam que as mudanças na TIM são, na verdade, uma cartada para vendê-la por um bom preço, já que, entre os grupos que atuam no Brasil, ela é a única que tem a dívida líquida superior à receita. Procurada, a TIM não comentou o assunto.
Especialistas mostram que há algumas alternativas para o futuro da operadora italiana, como a fusão com a Vivo, Claro ou Oi. Porém, essa opção dificilmente seria aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois em qualquer um dos casos, o mercado ficaria muito concentrado na mão de uma única empresa. Uma segunda hipótese seria dividir a empresa em três, mas a alternativa que o mercado considera mais provável seria a incorporação da TIM pela Vivendi, que adquiriu recentemente o controle da GVT. A Vivendi comprou a GVT e quer entrar na telefonia móvel. E como a TIM comprou a Intelig, a Vivendi passaria a ter uma forte atuação no mercado de telefonia fixa e móvel. E não teria problemas de sobreposição que as outras operadoras têm, analisa a fonte. A Vivendi não se pronunciou sobre o assunto.