Se depender do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE), nenhuma região do Estado fica desprovida de servidores do órgão para o trabalho nos cartórios eleitorais do interior. De acordo com levantamento, a partir de dados obtidos junto a funcionários da Corte, aponta que, entre junho do ano passado e maio deste ano, o TRE gastou R$ 1,5 milhão em diárias de viagem. A média de gastos por dia chega a R$ 4.100 para bancar a hospedagem e a alimentação dos funcionários e agregados da Corte Eleitoral mineira.
Juntos, os cinco servidores que mais viajaram pelo TRE e, consequentemente, receberam diárias, embolsaram um valor de R$ 219,7 mil no intervalo de 12 meses.
Em números absolutos de verbas repassadas, o campeão de gastos é um trabalhador que sequer é servidor do TRE. Ele foi cedido pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão ao TRE, a partir de um pedido de reforço do próprio órgão ao governo de Minas. Foram R$ 51,6 mil pagos em 242 diárias num intervalo de 270 dias, entre junho de 2012 e março deste ano. Em média, por dia, ele recebeu R$ 213 para se manter como reforço em cartórios eleitorais de diversas comarcas mineiras.
Chama atenção também os números do funcionário que é o segundo mais indenizado no período. Em 336 dias, ele recebeu 212 diárias e meia. As despesas com hospedagem e alimentação fora de Belo Horizonte somaram, entre 30 de maio do ano passado e 30 de abril deste, R$ 43,3 mil.
O terceiro funcionário que mais recebeu a verba recebeu 204 diárias e meia. Foram R$ 42,1 mil gastos com as viagens do servidor.
A quarta no ranking foi ressarcida com 194 diárias e R$ 41,9 mil pagos. Na quinta posição, aparece outra funcionária do Estado cedida à Justiça Eleitoral, nesse caso, pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER-MG). Ela recebeu aproximadamente R$ 40,6 mil para pagar 193 diárias.

Divergência

Se, por um lado, os dados numéricos revelam que a Corte não poupou recursos nos últimos 12 meses para bancar as viagens de servidores, internamente, o discurso é outro. ?Lá dentro do TRE, só recebe diária quem tem bom relacionamento com a diretoria e alguns desembargadores com poder de decisão. Os que vêm de fora e são cedidos pelo governo são um exemplo. Nós, concursados, muitas vezes, tentamos fazer algum curso de reciclagem fora e sequer somos recebidos pela diretoria de gestão de pessoas. Isso já aconteceu comigo?, descreveu à reportagem um funcionário que, revoltado, pediu anonimato.

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