Formiga

Visões em xeque

Revisitar movimentos e episódios históricos, no intuito de lançar luz com novas perspectivas, tem sido um dos principais objetivos do Festival de História, que chega a sua segunda edição, em Diamantina, com atividades que começaram na quinta-feira (19) e se estendem até domingo (21). Centrado no tema Histórias Não Contadas, a iniciativa pretende trazer à tona discussões que contribuem para um melhor entendimento do cenário brasileiro desde o período colonial até passagens mais recentes, perpassando principalmente os anos de repressão que marcaram a ditadura no país.
Depois da estreia em 2011, o evento, de acordo com o jornalista e coordenador Américo Antunes, se estruturou em torno desse recorte ao abraçar a causa defendida pela Comissão Nacional da Verdade, criada pela Lei 12528/2011 e instituída no ano passado. Ao buscar esclarecer os crimes cometidos por agentes de Estado, entre 1946 e 1988, no Brasil, o programa, para Antunes, abre possibilidades para se refletir sobre os grupos sociais ou personagens cuja trajetória pode ter sido relegada ou mal analisada ao longo do tempo.
?A ideia é trazer, por meio do festival, ângulos ainda pouco revelados de vários momentos da história brasileira. Seguindo a linha das histórias não contadas, a programação pretende dar vazão a outras versões que acolhem o olhar dos negros, dos índios, daqueles que foram perseguidos pelo regime militar, acompanhando, assim, o movimento de revisão histórica que vivenciamos atualmente?, explica Américo Antunes.
A fim de promover o encontro entre diferentes perspectivas, o evento reúne pesquisadores daqui e estrangeiros, jornalistas e artistas que vão se revezar em diferentes espaços da cidade histórica. Na abertura, participa, por exemplo, o historiador britânico Kenneth Maxwell, especialista em história ibérica e nas relações entre Brasil e Portugal. Autor do título ?O Livro de Tiradentes?, lançado recentemente pela editora Companhia das Letras, o estudioso vai comentar especialmente sua visão sobre a Inconfidência Mineira.
?Ele traz uma leitura muito interessante do movimento, relacionando-o com as revoluções americana e francesa, além da revolta dos negros do Haiti. Sua pesquisa é de fôlego e traz dados interessantes como o fato de Tiradentes ter tido acesso a documentos constitucionais vindos dos Estados Unidos, em uma tradução francesa?, afirma Antunes.
Durante o festival, ainda haverá mostras de filmes e fotografias, além da presença de artistas como Maria Bethânia, o músico Flávio Renegado e o poeta Sérgio Vaz, dentre outros.