Sem previsão de trocas no secretariado até pelo menos o início do ano que vem, o governador Romeu Zema (Novo) negocia com aliados a nomeação, para o segundo escalão do governo, de deputados que não foram reeleitos e ficarão sem cargo a partir de 2023.

O movimento vale tanto para parlamentares do Partido Novo quanto para os das legendas da base do governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e na Câmara dos Deputados. O governo já se reuniu e convidou os deputados federais Tiago Mitraud (Novo) e Lucas Gonzalez (Novo) e com os deputados estaduais Laura Serrano (Novo) e Guilherme da Cunha (Novo) para tratar do tema. Eles farão parte do governo caso queiram, mas ainda não há uma definição sobre quais cargos eles ocuparão.

Primeiro

Zema manterá a diretriz revelada por ele em entrevista à rádio Super 91,7 FM há duas semanas e não irá trocar nenhum secretário nos próximos meses. A determinação abarca inclusive os chefes das pastas da Educação, Igor de Alvarenga, e da Agricultura, Thales Fernandes, que no início do ano eram vistos apenas como interinos.

A única mudança será na Secretaria Geral, onde o atual secretário, Mateus Simões (Novo), deixará o posto porque será vice-governador a partir do ano que vem. O substituto será Marcel Beghini, que foi chefe de gabinete de Simões na Câmara Municipal de Belo Horizonte e na própria pasta.

Quando o vice-governador eleito deixou o governo para disputar a eleição, Beghini assumiu como secretário. “A Secretaria Geral segue sob o comando do secretário Marcel, que se afastou do cargo apenas para o meu retorno provisório”, confirmou Mateus Simões.

Após tirar alguns dias de férias, o governador tem se reunido com os atuais secretários para perguntar se todos eles desejam permanecer no posto em seu segundo mandato. Caso alguém saia, há possibilidade da vaga ser assumida por um dos quatro deputados do Novo. Salvo isso, uma eventual reforma do secretariado, caso ocorra, deve ficar somente para o fim do primeiro semestre de 2023.

Por áreas

A deputada estadual Laura Serrano (Novo), que chegou a ser cotada para ser a secretária de Educação logo após a eleição, deve ocupar um cargo no segundo escalão da pasta, área em que ela mais atuou durante seu mandato.

“Na única conversa que tive com o governo até agora, o governo disse que deseja contar comigo e perguntou se eu teria interesse em seguir colaborando. Eu confirmei que tenho interesse se eu puder ser útil e se (for uma área que) fizer sentido, em que eu de fato possa ajudar. Não avançamos na discussão sobre cargos ou coisa parecida”, afirmou o deputado estadual Guilherme da Cunha.

No mandato, o parlamentar teve como foco temas de liberdade econômica, como a flexibilização das regras para o transporte fretado de passageiros em Minas Gerais e o fim do monopólio do Detran sobre as vistorias veiculares. Em julho, um decreto de Romeu Zema abriu o mercado para empresas privadas que desejam realizar a atividade.

Mais nomes

Outros nomes que são cotados para integrar o segundo escalão do governo de Romeu Zema, ainda em tratativas iniciais, são os dos deputados estaduais Zé Reis (Podemos) e João Leite (PSDB).

Governo resiste a indicações de aliados

Apesar de aberto para negociações, o governo tem apresentado resistência em contemplar alguns deputados que não terão mandato no ano que vem, como é o caso de Dalmo Ribeiro (PSDB), que após 23 anos na Assembleia Legislativa não foi reeleito para a legislatura que começa em 2023.

Na base do governo no Legislativo, há uma preocupação com o futuro do deputado. Um dos argumentos para não deixá-lo desamparado é que um dos motivos pelo qual Dalmo não se reelegeu é que o Novo lançou o ex-prefeito de Ouro Fino, Dr. Maurício (Novo), como candidato a deputado estadual, disputando votos com ele em sua base

Queda

A interpretação é que Dr. Maurício tirou votos de Dalmo no município e isso foi definitivo para derrota. O tucano teve 30% dos votos da cidade em 2018, percentual que caiu para 8% na última eleição.

Forças de segurança vão ter mudanças

Outra mudança confirmada até o momento é a troca do comando das forças de segurança do Estado. A expectativa é que a alteração dos comandos da Polícia Militar (PM) e dos Bombeiros aconteça no início do próximo ano. Até o momento, nenhum nome foi definido.
Em entrevista recente à rádio Super, o governador Romeu Zema (Novo) justificou a mudança citando o regimento interno das corporações. Segundo Zema, a troca seria necessária devido a aposentadoria dos atuais comandantes.

Vale lembrar que o atual comandante da PM é o Coronel Rodrigo Sousa Rodrigues. O militar apoiou as manifestações das forças de segurança no início do ano. Durante os protestos, que reivindicaram reajuste salarial para a categoria, Sousa Rodrigues chegou, inclusive, a divulgar uma carta autorizando a participação de militares da ativa nas manifestações contra o governo. Na ocasião, o coronel chamou os protestos de “evento legítimo”, o que gerou mal-estar entre a corporação e os integrantes do governo.

“Nós vamos manter o mesmo time que está, as únicas mudanças que nós devemos ter serão nas Forças de Segurança até por uma questão de regimento interno, porque o comandante da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros têm um tempo limite para aposentadoria. Mas, nós vamos manter esse time (secretariado)”, afirmou Zema no último mês à rádio Super.

Fonte: O Tempo

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