A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) se organiza sobre o Brasil no decorrer desta semana. A grande cobertura de nuvens que vem sendo observada cruzando o país, desde o sul da Região Norte, passando pelo Centro-Oeste, Sudeste e se prolongando pelo mar; e também a chuva volumosa que já caiu entre sábado (18) e segunda-feira (20) em diversas áreas de estados do Sudeste, do Centro-Oeste e do Norte do Brasil são dois indícios de formação da ZCAS.
Podemos dizer que esta chuva volumosa e a extensa nebulosidade sobre o Brasil são a parte “visível” da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Mas só isto não basta para dizermos que o sistema está se formando. Para que possamos afirmar que a ZCAS está se organizando é preciso que vários fatores meteorológicos envolvendo a circulação dos ventos em diversos níveis da atmosfera sejam observados ao mesmo e de forma persistente, pelo menos por 4 dias consecutivos.
É a persistência de uma circulação de ventos especial em vários níveis de altitude que mantém a concentração de umidade (convergência de umidade) para que as grandes áreas de nebulosidade e chuva se formem e permaneçam sobre o Brasil por vários dias consecutivos caracterizando a ZCAS.
A presença da Alta da Bolívia, sistema de alta pressão atmosférica identificado em torno de 10 mil metros de altitude centrado sobre a Bolívia ou próximo deste país, e de um cavado ou Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN), também a cerca de 10 mil metros de altitude, são condições fundamentais para a formação da ZCAS.
Na animação das imagens captadas pelo satélite Goes 13 mostra a nebulosidade sobre o Brasil em parte da madrugada e da manhã de segunda-feira (20). A presença do VCAN pode ser visualizada pela falta de nuvens em parte do Nordeste (entre o Ceará e norte da Bahia) e pela faixa de nuvens que se movimenta no sentido horário saindo do Maranhão e indo para o oceano Atlântico Norte (nuvens na parte mais externa do VCAN).

possível perceber o VCAN e a Alta da Bolívia
Embora menos perceptível, a circulação da Alta da Bolívia também pode ser visualizada pela movimentação das nuvens no sentido anti-horário que ocorre entre o Mato Grosso, Amazonas, Acre, Peru e a Bolívia.
No período de terça-feira (21) a sábado (25), a estimativa de chuva sobre o Brasil feita em supercomputadores mostra claramente a concentração das áreas de chuva entre o Norte, o Centro-Oeste e o Sudeste. Muitos locais podem acumular mais de 100 mm em apenas 5 dias.

Fonte: Climatempo ||








