Ciência e Saúde

Homem morre após receber rim infectado com vírus da raiva

Foto: Freepik

A morte de um homem após receber um rim infectado pelo vírus da raiva reacendeu o alerta sobre a transmissão da doença em transplantes de órgãos. Embora a raiva seja normalmente transmitida por mordidas de animais, casos raríssimos de contágio de humano para humano podem ocorrer por meio de órgãos ou tecidos contaminados.

O caso foi investigado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), que confirmou que o receptor do transplante foi infectado diretamente pelo rim doado. O homem recebeu o órgão em dezembro de 2024, e o doador havia morrido pouco antes. Durante a triagem, não havia sinais claros de infecção, mas depois se descobriu que o doador tinha sido arranhado por um guaxinim — fato não considerado risco na avaliação inicial.

Cerca de 51 dias após o transplante, o receptor apresentou sintomas neurológicos graves e morreu. Exames identificaram o RNA do vírus da raiva no rim transplantado, confirmando a transmissão. Três outras pessoas receberam tecidos do mesmo doador, no caso córneas. Para prevenir infecção, os médicos removeram os enxertos e aplicaram a profilaxia pós-exposição; nenhuma delas apresentou sintomas. Este episódio é o quarto caso registrado nos EUA de raiva transmitida por transplante desde 1978.

Especialistas destacam que a raiva é rara em humanos e, por isso, não integra a triagem padrão de doadores. Além disso, o período de incubação varia de dias a mais de um ano, dificultando a previsão de risco. Detalhes como contato recente com animais silvestres, arranhaduras e sinais neurológicos devem ser cuidadosamente avaliados antes de liberar órgãos para transplante. Procedimentos rápidos, como a remoção de tecidos suspeitos e aplicação da profilaxia pós-exposição, são essenciais quando há suspeita de contágio.

O caso reforça a importância de protocolos rigorosos em transplantes, que salvam vidas diariamente, mas dependem de medidas de segurança precisas. Embora extremamente rara, a transmissão de raiva por órgãos doados é real e, considerando a quase total letalidade da doença após o início dos sintomas, todo cuidado é indispensável.

Com informações do Metrópoles