Economia

Dólar cai em meio à redução da pena de Bolsonaro, avanço da inflação e “superquarta” dos juros

O dólar operava em baixa na manhã desta quarta-feira (10), em um dia marcado por intensa movimentação na agenda econômica. As atenções do mercado financeiro se concentram nas decisões sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, enquanto os investidores repercutem também os dados de inflação de novembro e o impacto político da aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Às 9h15, o dólar caía 0,21%, negociado a R$ 5,426. Na véspera, havia fechado em alta de 0,26%, a R$ 5,435. No acumulado de dezembro, a moeda registra avanço de 1,87% e, no ano, queda de 12,05% frente ao real.

As operações do Ibovespa, principal índice da B3, têm início às 18h. No dia anterior, o indicador encerrou o pregão em leve queda de 0,13%, aos 157,9 mil pontos, mantendo estabilidade. No acumulado de dezembro, a Bolsa recua 0,69%, mas ainda registra valorização de 31,34% em 2025.

Inflação no Brasil
O destaque da agenda nacional é o IPCA de novembro, divulgado pelo IBGE. A inflação do mês ficou em 0,18%, acima dos 0,09% registrados em outubro. No acumulado do ano, o índice soma alta de 3,92%, e, em 12 meses, alcança 4,46% — abaixo dos 4,68% do período anterior. Em novembro de 2024, a variação havia sido de 0,39%.

Cinco dos nove grupos pesquisados registraram alta: despesas pessoais (0,77%) e habitação (0,52%) tiveram os maiores impactos (0,08 ponto percentual cada), seguidos por vestuário (0,49%), transportes (0,22%) e educação (0,01%). Os demais grupos ficaram no negativo: artigos de residência (-1%), comunicação (-0,2%), saúde e cuidados pessoais (-0,04%) e alimentação e bebidas (-0,01%). O resultado veio ligeiramente abaixo das estimativas do mercado, que esperava 0,2% no mês e 4,49% em 12 meses. A meta de inflação para 2025 é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

A “superquarta” dos juros
O mercado está atento às decisões simultâneas sobre juros pelo Copom, no Brasil, e pelo Fed, nos Estados Unidos. A chamada “superquarta” ocorre quando ambos os bancos centrais divulgam suas taxas básicas no mesmo dia, após reuniões iniciadas na terça-feira (9/12).

A taxa Selic permanece em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas — e a maioria dos analistas aposta na manutenção. O foco recai sobre o comunicado do Copom, que pode indicar quando começará o ciclo de cortes previsto para 2025. A dúvida é se a redução ocorrerá em janeiro ou apenas em março.

Pedro Cutulo, estrategista da One Wealth Management, avalia que o país está “próximo do início de um novo ciclo de cortes”, mas pondera que o Copom tende a agir com prudência e aguardar março para reduzir a taxa em 50 pontos-base. Ele reconhece, porém, a possibilidade de um corte menor, de 25 pontos-base, já em janeiro.

Nos EUA, a taxa de juros está entre 3,75% e 4% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual na última reunião. A expectativa majoritária é por novo recuo em 2025. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 89,9% dos investidores apostam em mais uma redução de 0,25 ponto percentual, enquanto 10,1% esperam manutenção.

Com a combinação de indicadores econômicos, agenda política carregada e decisões simultâneas de política monetária no Brasil e nos EUA, o mercado financeiro inicia a “superquarta” avaliando os sinais que poderão definir o ritmo da economia em 2025. A evolução do dólar, o comportamento da inflação e os próximos passos dos bancos centrais serão determinantes para investidores e expectativas sobre o cenário econômico nos próximos meses.

Com informações do Metrópoles