Uma proposta apresentada pelo Consórcio Transoeste, responsável pelo transporte coletivo de Divinópolis, acendeu o alerta entre motoristas e o sindicato da categoria. A empresa sugeriu a flexibilização do pagamento do adiantamento salarial, conhecido como “vale”, pago tradicionalmente no dia 20 de cada mês, como forma de controlar as finanças, o que levou trabalhadores a ameaçarem paralisação.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (Sintrodiv), a proposta foi recebida sem aviso prévio, o que causou insatisfação entre os motoristas. A principal preocupação da categoria é o risco de não recebimento do ticket-alimentação, que é pago junto com o adiantamento salarial.
O presidente do Sintrodiv, Erivaldo Adami, informou que recebeu o documento na noite de quinta-feira (15), sem notificação formal e de última hora. Segundo ele, o sindicato teme que a falta do pagamento provoque revolta entre os trabalhadores e resulte em paralisação do serviço. Diante da situação, Adami afirmou que pretende levar o caso ao conhecimento da população e buscar uma reunião com autoridades municipais, como representantes da Prefeitura, da Secretaria de Trânsito e Transportes (Settrans) e vereadores, para discutir alternativas.
Em ofício, o Consórcio Transoeste justificou a proposta alegando enfrentar um “déficit crônico e insustentável”. A empresa aponta o congelamento das tarifas de ônibus como um dos principais fatores da crise financeira. Desde 2019, a passagem custa R$ 4,15 em dinheiro e R$ 3,65 no cartão Divpass. Em dezembro, o prefeito Gleidson Azevedo anunciou que não haverá reajuste da tarifa em 2026.
Apesar dos subsídios concedidos pelo Município, a Transoeste argumenta que os valores não são suficientes para reequilibrar as contas. No documento ao qual o Portal MPA teve acesso, o consórcio afirma que a ausência de revisão tarifária compensatória ou de subsídios públicos adequados tem gerado profunda instabilidade financeira e severo desequilíbrio econômico-financeiro.
A proposta de flexibilização do vale salarial expôs o impasse entre o Consórcio Transoeste e os trabalhadores do transporte coletivo de Divinópolis. Enquanto a empresa alega dificuldades financeiras provocadas pelo congelamento tarifário, o sindicato teme prejuízos aos motoristas e a possibilidade de paralisação do serviço. A expectativa é de que reuniões com autoridades municipais sejam realizadas para buscar uma solução e evitar impactos à população.
Com informações do Portal MPA







