Aos nove anos de idade, Valéria Miranda já demonstra consciência ambiental. Moradora de Caucaia, no Ceará, ela aprendeu cedo que para continuar brincando e estudando em espaços com árvores, pássaros e ar limpo, é preciso cuidar da natureza.
“Eu gosto de brincar, plantar flores e cuidar da minha família. E aprendi aqui no projeto que se eu separar o resíduo posso fazer outras coisas com ele como casinha, carrinho, para brincar. Também ensinei isso para os meus dois irmãos”, conta.
Valéria participa do projeto Ecocidadão, iniciativa socioeducativa promovida pela empresa Marquise Ambiental, que atua no setor de serviços e soluções ambientais. Em parceria com outras empresas, o projeto mantém a escola Novo Destino, onde estudantes de baixa renda recebem reforço escolar no contraturno.
Além de aulas de matemática e língua portuguesa, os alunos têm contato com atividades voltadas para descobertas e práticas sustentáveis.
“É uma atividade onde eles desenvolvem competências que vão ser importantes no dia a dia deles, na vida deles. Então a gente consegue trabalhar a educação ambiental, a partir da reciclagem”, explica o professor Arley Alves dos Santos.
Segundo o diretor-presidente da Marquise Ambiental, Hugo Nery, a iniciativa não é uma obrigação contratual da empresa, mas uma parceria construída com base na confiança.
“Quando as pessoas naquele bairro, naquela rua, começam a entender a importância da separação do resíduo e de todo o processo, isso facilita a minha vida como empresa. Então não é uma visão contratual, é uma visão de você olhar para frente e saber como é que o futuro tem que ser”, afirma.
Ferramentas educativas
Em um dos espaços do projeto, Valéria e mais de 700 crianças e jovens assistiram ao filme de animação O Presente de Cecília, que mostra a história de uma menina que, com a ajuda de um amigo do futuro, transforma comportamentos prejudiciais ao meio ambiente em práticas sustentáveis.
“Eu espero que no futuro a gente tenha uma natureza limpa, para ninguém ficar doente”, diz a estudante.
Cuidados e futuro
Assim como Valéria, a universitária Lorena Ribeiro, de 23 anos, também cresceu em contato direto com a natureza. Natural de Tutóia, no Maranhão, ela conviveu desde a infância com manguezais e áreas de restinga.
“Meus pais sempre me influenciaram a cuidar realmente do que beneficia a gente, porque não é só a gente que vai ganhar, mas também tem os seres que vivem na natureza, os animais e as plantas”, relata.
A jovem decidiu cursar Biologia no Instituto Federal do Maranhão, em Barreirinhas, e hoje atua no Laboratório de Biodiversidade Aquática (BioAqua). Além disso, participa como voluntária em iniciativas como o Guardiões do Futuro, promovido pela Fundação Grupo Boticário. Em dezembro de 2025, o projeto realizou a restauração de 30 hectares de restinga no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, com o plantio de 600 mudas nativas.
A ação buscou recuperar uma área desmatada irregularmente para abertura de uma via de acesso turístico. O espaço afetado equivalia a quase 40 campos de futebol e é habitat do tamanduaí, menor espécie de tamanduá do mundo.
“A educação ambiental funciona como uma ponte entre o que a gente quer fazer e o que vai acontecer. Não é só para a gente. Temos que ter resiliência para entender que o que fazemos hoje vai beneficiar gerações futuras, a fauna, a flora, animais que realmente precisam daquele bioma, daquele ambiente para sobreviver”, afirma Lorena.
Transformação coletiva
Ao difundir e multiplicar o conhecimento, crianças como Valéria, professores como Arley, jovens como Lorena e empresas como a Marquise Ambiental formam uma cadeia de agentes de transformação.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) destaca a educação ambiental como uma das principais estratégias para enfrentar a tripla crise planetária: mudanças climáticas, poluição e perda de biodiversidade. Para a entidade, não bastam soluções tecnológicas ou políticas públicas; é preciso sociedades informadas, engajadas e capacitadas.
Desde 1975, o dia 26 de janeiro marca o Dia Mundial da Educação Ambiental, com o objetivo de conscientizar cidadãos e novas gerações sobre os problemas ambientais e climáticos e as alternativas para construir um futuro sustentável, alinhado à Agenda 2030.
Com informações da Agência Brasil







