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Serra do Curral pode ganhar reconhecimento internacional da Unesco

Foto: Maria Clara Landim / Sou BH

Um dos principais símbolos naturais de Belo Horizonte, a Serra do Curral pode alcançar projeção internacional com a candidatura do Parque das Mangabeiras ao título de Geoparque Global da Unesco. A proposta foi apresentada pela Prefeitura de Belo Horizonte durante agenda institucional em Paris, na França, e a formalização do pedido está prevista para o primeiro semestre de 2026.

Localizado na região Centro-Sul da capital mineira, o Parque das Mangabeiras integra a Serra do Espinhaço, considerada a mais longa cadeia montanhosa do Brasil e reconhecida há cerca de 20 anos como Patrimônio Mundial pela Unesco. Caso a candidatura avance e seja aprovada, Belo Horizonte poderá se tornar a primeira capital brasileira a integrar a rede mundial de geoparques.

O título de Geoparque Global da Unesco é concedido a territórios com relevância geológica internacional associados a estratégias de preservação ambiental, educação e desenvolvimento sustentável. O reconhecimento, no entanto, não cria automaticamente instrumentos jurídicos de proteção ambiental. Na prática, funciona como uma validação internacional de iniciativas já existentes e como estímulo à formulação de políticas públicas e ações educativas voltadas à conservação do território.

O programa também incentiva a integração entre biodiversidade, paisagem, ciência, turismo sustentável e a participação das comunidades do entorno. Com isso, o reconhecimento pode ampliar a visibilidade do parque e fortalecer sua importância ambiental, cultural e educativa.

Após a apresentação preliminar em Paris, a próxima etapa será a formalização oficial da candidatura, prevista para ocorrer ainda neste semestre. Em seguida, técnicos da Unesco devem realizar a análise documental e a avaliação técnica do território ao longo do segundo semestre de 2026. A expectativa é que a decisão final seja anunciada até o fim do ano. Se aprovado, o Parque das Mangabeiras passará a integrar uma rede internacional formada por mais de 225 geoparques distribuídos em mais de 50 países.

A possível chancela internacional surge em um contexto de pressões ambientais históricas sobre a Serra do Curral. A área já foi alvo de esquemas bilionários de extração ilegal de minério de ferro, revelados por investigações da Polícia Federal, além de enfrentar interesses recorrentes do setor imobiliário. Nesse cenário, o reconhecimento pode funcionar como uma camada simbólica adicional de proteção, reforçando a relevância ambiental da serra e ampliando o debate público sobre sua preservação. A Serra do Curral, inclusive, integra a identidade visual de Belo Horizonte ao constar na bandeira oficial do município.

Durante a agenda internacional em Paris, a Prefeitura de Belo Horizonte também apresentou projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento sustentável, como a valorização da lagoa da Pampulha e a proposta de criação de um cinturão verde para a capital e a Região Metropolitana. A articulação busca alinhar políticas públicas locais às diretrizes internacionais da Unesco, além de ampliar oportunidades de cooperação técnica, parcerias institucionais e captação de investimentos ligados à agenda climática e ambiental.

Atualmente, Minas Gerais já conta com um geoparque reconhecido pela Unesco: o Terra de Gigantes, localizado em Uberaba, no Triângulo Mineiro. O Brasil soma outros cinco territórios com o selo internacional, distribuídos entre Ceará, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Se confirmada, a inclusão do Parque das Mangabeiras nesse grupo pode posicionar Belo Horizonte como referência na utilização da geodiversidade urbana como ferramenta de educação ambiental, preservação e promoção do desenvolvimento sustentável.

Com informações do Estado de Minas