Economia

Copom mantém Selic em 15% e sinaliza cortes a partir de março

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nessa quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi unânime e já era esperada pela maioria dos economistas do mercado financeiro.

Apesar da manutenção, o colegiado indicou que poderá iniciar cortes na taxa a partir da próxima reunião, marcada para março, caso se confirme o cenário de inflação mais controlada. “O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, registrou o Copom em comunicado.

O atual patamar da Selic é o mais alto em quase duas décadas. Em julho de 2006, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a taxa estava em 15,25% ao ano. Desde junho de 2025, o Banco Central mantém a Selic em 15%, acumulando quatro reuniões consecutivas sem alteração.

Contexto político e econômico

Integrantes do governo têm defendido a redução dos juros, argumentando que o nível elevado da Selic freia a atividade econômica. Em 2025, os diretores indicados pelo presidente Lula passaram a compor a maioria no Copom, influenciando diretamente as decisões do colegiado.

A reunião desta quarta-feira ocorreu desfalcada, com dois votos a menos, devido às saídas de Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica. O governo ainda não indicou substitutos.

Sistema de metas e inflação

O Banco Central define a taxa de juros com base no sistema de metas de inflação. Desde 2025, vigora o regime de meta contínua, que considera cumprido o objetivo de 3% se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Em junho do ano passado, após seis meses consecutivos de inflação acima da meta, o BC divulgou uma carta pública explicando os motivos. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, apontou como fatores a atividade econômica aquecida, o câmbio, o custo da energia elétrica e anomalias climáticas.

As decisões sobre a Selic levam em conta projeções futuras de inflação, já que os efeitos da política monetária demoram de seis a 18 meses para se refletirem plenamente na economia.

Com informações do G1