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No Brasil, golpistas são 3% dos consumidores

De cada cem consumidores três são golpistas e outros cinco são maus pagadores, diz um estudo realizado pelo escritório de análise de crédito Proscore. De acordo o presidente da empresa, Ivo Barbiero, o resultado é um dos reflexos do aumento do mercado de consumo sem um crescimento, na mesma proporção, de uma cultura de planejamento financeiro e de gastos responsáveis. Esse descompasso abre espaço para o calote e, em alguns caso, para os golpes.
Ivo Barbiero explica que, na maior parte dos casos, os calotes não são planejados e são fruto de um descontrole do orçamento. Já os golpes são uma tentativa de tirar proveito de alguma brecha do sistema financeiro. O que é diferente da fraude, que é um tipo de golpe em que há falsificação e adulteração de documentos, diz.
Com mais de 30 anos de atuação no mercado, Barbiero diz que pequenos golpes com cheques são os mais comuns, porque são os mais fáceis de praticar. Tudo passa também por uma questão de oportunidade. Existem casos de pessoas que fabricam os próprios talões de cheque de bancos que nem existem, conta ele.
Outro crime comum citado por Barbiero são golpes contra revendedoras de veículos. Pela facilidade de crédito, e pela certa dose de burocracia enfrentada por bancos para recuperar um bem financiado, alguns consumidores simplesmente deixam de pagar as parcelas do financiamento após a segunda ou terceira parcelas. Como o tempo médio para que o banco recupere o veículo pode chegar a até oito meses, muitas vezes o carro já está em condições tão ruins que nem vale a pena resgatá-lo, diz.
Em outros casos, segundo Barbiero, os consumidores inadimplentes fazem uma proposta para a quitação da dívida, pagam algumas parcelas e ficam inadimplentes novamente. Claro que existem casos de dificuldades financeiras para pagamento das dívidas, mas há quem faça isso de forma sistemática e pratica o golpe da inadimplência,diz.
Comércio
Ainda não há levantamento que estabeleça uma relação entre o aumento do mercado consumidor e a intensificação do movimento de ascensão de classes com os índices de inadimplência e de golpe e frade no comércio. Ainda assim, para Ivo Barbieiro, as pessoas sobem de classe, e levam um tempo até entender como funciona aquele padrão financeiro. Muitas pessoas que não tinha acesso ao consumo, começam a comprar e fazer financiamentos sem saber se as dívidas assumidas vão caber no orçamento. Por esta razão, segundo ele, é uma situação natural o aumento da inadimplência.
Para minimizar os riscos nas transações, os comerciantes precisam tomar alguns cuidados. O principal deles, segundo Barbiero, é ter acesso a um sistema seguro de dados, como o Serasa e o SPC, para saber do histórico financeiro do cliente. Em caso de vendas efetuadas com cheque, é fundamental pedir documentos de identificação, mesmo para clientes antigos.
Por ser mais seguro para o lojista, a opção pelos sistemas eletrônicos de compra tem cada vez mais se tornado a principal opção adotada pelos comerciantes. Segundo levantamento mais recente da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), o cartão de crédito responde por 71% das operações a prazo, contra 17% dos cheques, que só são aceitos por 27% dos estabelecimentos da capital.