Depois de quase uma hora e meia de conversa com a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, deixou ontem o Palácio do Planalto ainda no cargo. Em entrevista logo depois do encontro, Silva garantiu que a presidente escutou sua defesa e lhe recomendou serenidade e paciência e reafirmou a confiança em seu trabalho.
Dilma chamou o ministro para uma conversa no final da tarde de ontem. Orlando chegou ao Palácio do Planalto por volta de 19h e esperou que a presidente terminasse a agenda oficial do dia. Foi um encontro para que eu esclarecesse todos os fatos, todas as acusações que tenho sofrido nos últimos dias. Dei detalhes, desmascarei todas as mentiras, afirmou Orlando. O ministro repetiu que havia pedido investigações à Polícia Federal e ao Ministério Público e aberto seus sigilos fiscal e bancário e que recebeu o apoio da presidente.
Indagado se continuava então no cargo, garantiu que sua saída nunca havia sido discutida. Afirmou que, depois de dar suas explicações, ainda conversou com Dilma sobre as agendas do ministério para as próximas semanas, entre elas uma visita do presidente da Federação Internacional de Futebol, Joseph Blatter.
Mas até o término da reunião, a situação de Orlando Silva era tida como insustentável. Ontem, enquanto era aguardado o encontro entre o ministro e a presidente, surgiu uma nova denúncia.
Documentos obtidos pelo jornal Estado de S. Paulo revelam que Anna Cristina Lemos Petta, mulher de Orlando Silva, recebeu dinheiro da União por meio de uma ONG comandada por filiados ao PCdoB, partido do marido e ministro. A informação sobre negócios da União com a empresa de familiares de Orlando Silva teria preocupado a presidente Dilma Rousseff.
É a própria Anna Petta quem assina o contrato entre a Hermana e a ONG Via BR, que recebeu R$ 278,9 mil em novembro do ano passado. A Hermana é uma empresa de produção cultural criada pela mulher do ministro e sua irmã, Helena. Prestou serviços de assistente de pesquisa para documentário sobre a Comissão da Anistia. A empresa foi criada menos de sete meses antes da assinatura do contrato com a entidade. Pelo trabalho, recebeu R$ 43,5 mil.
Documentos mostram ainda o curto espaço de tempo transcorrido entre a criação da empresa de Anna Peta e a celebração de convênio da ONG Via BR com o Ministério da Justiça. A Hermana foi criada apenas três meses antes da assinatura do convênio para a produção de documentário sobre a Comissão da Anistia e no mesmo mês em que a Via BR foi contratada pelo Ministério do Esporte.
A ONG Via BR tem em seus quadros Adecir Mendes Fonseca e Delman Barreto da Silva, ambos filiados ao PCdoB. A entidade também foi contratada em maio do ano passado pelo Ministério do Esporte, para promover a participação social na 3ª Conferência Nacional do Esporte. No negócio, recebeu mais R$ 272 mil.
Formiga
Apesar de nova denúncia, ministro permanece no cargo
- por Últimas Notícias
- 22/10/2011 - 14:28






