Nacional

Após sete anos de luta, filme sobre Tiradentes é gravado em Diamantina

O cineasta Marcelo Gomes nunca teve uma barba tão grande. O visual é próprio de quem, nos últimos 15 dias, se embrenhou pelas matas na região de Diamantina para contar a história de outro barbudo famoso: Tiradentes. Ou melhor, Joaquim José da Silva Xavier. “Já posso ganhar o green card mineiro”, brinca o diretor pernambucano. O pedido procede.

Que não se espere de Marcelo Gomes didatismos sobre o mártir da Inconfidência Mineira. “O filme não é um livro de história, mas ficção que imaginei a partir de uma inspiração histórica”, esclarece. ‘Joaquim’, que só deve chegar aos cinemas em 2017, é protagonizado pelo ator Júlio Machado. O elenco conta também com integrantes do Grupo Galpão – Antônio Edson, Chico Pelúcio, Eduardo Moreira e Paulo André –, além de portugueses e moradores de Diamantina.

O projeto nasceu há sete anos, quando Marcelo foi procurado por um produtor espanhol à frente de uma série audiovisual para comemorar a independência de países latino-americanos. De cara, o brasileiro avisou: só toparia se tivesse liberdade total, pois não lhe interessava reforçar o mito. O desafio era descobrir o homem – o Joaquim, simplesmente. “Seria a construção da consciência política desse personagem, mas imaginando onde pulsava o coração dele”, conta. A Espanha enfrentou dificuldades financeiras e o planejamento inicial foi para o brejo, mas o diretor decidiu levar o projeto adiante.

Mas se Tiradentes é o protagonista, por que filmar em Diamantina e não em Ouro Preto? “Cheguei a considerar Ouro Preto. Visitei a cidade, que tem uma arquitetura incrível, mas o entorno de Diamantina oferece a diversidade de paisagens de que o filme precisa”, explica. A história se passa no século 18, 10 anos antes da Inconfidência Mineira. O alferes Joaquim é enviado para uma expedição pelo sertão. Na época, a colonização modificava o interior do país: surgiam os primeiros núcleos urbanos, a extração do ouro determinava o funcionamento da sociedade. “A região de Minas virou uma babel de culturas e línguas. A partir dali foram se constituindo as primeiras vilas e as relações sociais”, aponta Marcelo.

cultura

Feliz da vida, Marcelo Gomes enfrentou mata fechada, cobra, raio e escorpião para filmar ‘Joaquim’ no interior de Minas (Divulgação)

‘Joaquim’ é uma coprodução brasileira e portuguesa. Do orçamento de R$ 2 milhões, R$ 1,6 milhão já foram captados. O valor é considerado baixo para um filme de época com tamanho elenco. “Teremos umas 100 pessoas com fala”, contabiliza. Os testes para atores levaram oito meses.

 

Portal Uai