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Preço do uniforme escolar sobe o dobro da inflação

Além dos gastos com cadernos, livros, matrícula e mensalidade, o início do ano escolar também inclui a renovação dos uniformes. Uma pesquisa do site Mercado Mineiro aponta que eles ficaram, em média, 12,81% mais caros neste ano, mais do que o dobro do índice da inflação – de 5,99% – medida nos últimos 12 meses.
Em alguns colégios, as peças chegaram a aumentar 52,93%. O engenheiro Bruno Mangualde, 33, ficou assustado ao pagar o primeiro uniforme da filha Bruna, de 4 anos. Duas saias, uma camiseta e uma camisa custaram R$ 120, relata.
Para quem tem mais de um filho, o rombo cresce. É o caso da psicóloga Carla Abdo, 44, mãe dos adolescentes Manoela, 14, e Bernardo, 13. Cada um precisa de duas calças, duas camisas e duas bermudas. O gasto será de quase R$ 600, calcula.
A principal justificativa das empresas de confecção para o reajuste é o aumento de 50% a 60% do algodão nos últimos seis anos. Além do alto custo, as fábricas estão tendo dificuldade para entregar a matéria-prima, diz a empresária Maria Filomena Caiafa, proprietária de uma confecção. Ela cita ainda o reajuste do valor dos aluguéis e do salário dos funcionários. De modo geral, tudo aumentou. Na medida do possível, ainda tentamos segurar o preço das peças, declara.
Segundo o diretor do site Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, apenas a justificativa do aumento da matéria-prima não é válida. O aumento deve ser feito de acordo com a tabela de custo e não porque o preço de outros produtos evolui, diz.
No caso específico do uniforme escolar, o consumidor fica à mercê dos colégios, já que a maioria oferece as peças em poucas lojas. As escolas não deveriam interferir tanto no padrão do uniformes. Elas deveriam ter um modelo básico e abrir para todas as confecções, critica Abreu.
Mesmo com opções escassas, os pais não devem desprezar a pesquisa. O mesmo estudo do Mercado Mineiro aponta que o valor de peças idênticas varia, em média, 33,76%. Dependendo da variação, com o preço de duas peças, o pai pode comprar três em outra loja, diz Abreu.