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Documento encontrado pela força-tarefa da Lava Jato na sede da empreiteira Galvão Engenharia em São Paulo indica que um consórcio liderado pela Andrade Gutierrez em parceria com a Odebrecht e outras três construtoras teria buscado “interesse político” e “boa vontade” da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para ser contratada para as obras da usina hidrelétrica de Irapé, em Grão Mogol, cidade mineira localizada no Noroeste do Estado.
O material foi encontrado na sétima etapa da operação, em novembro de 2014, e voltou à tona após um pedido da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para ter acesso às investigações, com o intuito de apurar eventuais irregularidades envolvendo a Cemig e as empresas investigadas pela operação.
A hidrelétrica, com potencial de 399 MW, foi construída pelo consórcio que aparece no documento. As obras começaram em 2002, no governo Itamar Franco, e foram concluídas em 2006, já na gestão de Aécio Neves (PSDB), ao custo de R$ 1,2 bilhão.
O documento de quatro páginas intitulado “Breve histórico de UHE Irapé” traz detalhes do pré-contrato assinado com o consórcio em 1998 e do andamento das negociações com a Cemig antes de ser assinado o contrato com as empreiteiras, em 2002, bem como das metas do consórcio para o período.
Chamou a atenção da força-tarefa da operação a tabela com as “metas imediatas” no documento, onde aparece a expressão “criar interesse político na contratação do nosso consórcio EPC (sigla para Engineering, Procurement & Construction, uma modalidade de contratação de empresas para empreendimentos) obtendo ‘boa vontade’ (as aspas estão no documento) da Cemig”.
Diante disso, o MPF defendeu o compartilhamento do material com a Assembleia “considerando os indícios relativos a negociações e contratos firmados entre empresas participantes do cartel, ora investigadas, e a concessionária Cemig”, aponta a Procuradoria da República em parecer encaminhado ao juiz Sérgio Moro. Ele ainda vai decidir se acata ou não o pedido de compartilhamento.
Defesas. Questionada sobre as expressões constantes no documento, a Cemig afirmou desconhecer qualquer pressão política, pagamento de comissão ou favorecimento do referido consórcio. A Galvão, que não participou do consórcio responsável pela construção, não explicou porque o documento estava em sua sede e disse não reconhecer a autoria do material.
Já a Cemig confirmou que o consórcio construtor Irapé, formado pelas empresas citadas no documento, foi contratado sem licitação para as obras. Segundo a estatal, o contrato se deu por meio da Lei 9.074/1995, que prevê a dispensa de licitação para estatais que participem de concorrência – no caso da hidrelétrica, a Cemig participou do leilão da Aneel – para levantarem preços de bens e serviços a serem contratos para a referida obra.
A Odebrecht disse desconhecer o material e que a “empresa Galvão Engenharia não teve qualquer participação direta ou indireta no projeto da UHE Irapé”.
Delação
No início do mês, o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, e o diretor Elton Negrão deixaram a prisão após acordos de delação premiada, cujos conteúdos não foram revelados.
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Fonte: Reportagem: O Tempo||http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/andrade-e-odebrecht-buscaram-interesse-pol%C3%ADtico-da-cemig-1.1238213








