Paulo Coelho
A falta de recursos financeiros tem sido a principal causa do abandono que, nos últimos anos, gerou a degradação de uma das mais importantes áreas ambientais de Formiga: o Parque Municipal Chico Mendes.
Certamente o abandono do parque, por parte do poder público, foi a causa principal da morte, paradoxalmente prematura, da espécie bicentenária da árvore símbolo que justificou a criação da reserva ambiental, popularmente conhecido como Parque do Jequitibá.
Agora, com o perigo de se perder toda a madeira da árvore (de valor econômico e histórico), alguns ambientalistas se movimentam no sentido de realizar uma parceria entre o município, outros órgãos públicos e a iniciativa privada, capaz de promover o aproveitamento da madeira – transformando-a em móveis a serem utilizados nas escolas, bibliotecas públicas e na própria sede do Parque -, replantando no local outras árvores da mesma espécie, cuidando e tratando da flora, da fauna e das nascentes existentes no parque, além, é claro, de evitar que o local continue a ser vandalizado.
Situação atual
O secretário de Meio Ambiente, Leyser Rodrigues Oliveira, tão logo assumiu a pasta e foi cientificado do que vinha ocorrendo no parque, tomou algumas das providências que lhe cabiam. Esta semana promoveu uma limpeza do local, ainda que superficial, e revelou ao Últimas Notícias que, no que depender da atual administração, o Parque Chico Mendes retomará, em breve, às atividades que justificaram sua criação.
Porém, para que se possa acelerar este processo, mesmo diante da atual situação financeira do município, o ideal seria que a iniciativa privada e demais interessados, dispostos a auxiliarem na defesa e preservação do meio ambiente, possam se valer do previsto na Lei 5239 – de 1º de março de 2018, que promove, facilita e permite a participação da sociedade na urbanização, cuidados e manutenção das áreas verdes do município em parceria com o poder público. (art. 2º – I).
A formação de um grupo disposto a enfrentar mais esta empreitada, liderado pelo poder municipal, Ministério Público, Associação Regional de Proteção Ambiental (Arpa-II), empresas e outras entidades civis interessadas na defesa ambiental, certamente saberá como mobilizar recursos financeiros e humanos, mobilizando inclusive estagiários de diversos cursos do Unifor-MG, dando ao Parque do Jequitibá condições de operar, novamente.
No momento em que o país assistiu, estupefato, as declarações do Ministro do Meio Ambiente, no programa Roda Viva, afirmando desconhecer quem foi Chico Mendes (o seringueiro que dá nome ao parque formiguense) e o governador de Minas e outras autoridades estaduais defendendo a flexibilização de licenciamentos de atividades reconhecidamente poluidoras, ainda assim, acreditamos que Formiga saberá como unir esforços para apagar da memória e da história futura, todo o descaso que vitimou o Jequitibá bi-centenário assim como a imensa área verde que se não for bem cuidada, continuará servindo de abrigo para os vândalos.
O parque
O Parque Municipal Chico Mendes, também conhecido como Parque do Jequitibá, localizado no bairro Mangabeiras, foi inaugurado em 2013. Ele ocupa uma área de aproximadamente 14 mil metros quadrados, onde há um espaço construído e composto por uma sala verde, jardim suspenso, sala para administração, cozinha, banheiros e outras benfeitorias. Tudo foi construído com a utilização de materiais recicláveis: paredes erguidas com a sobreposição de garrafas pets, telhas construídas a partir da reutilização de embalagens tetra-pack, rede coletora para reuso de águas pluviais, cercamento erguido com aproveitamento de dormentes, iluminação a partir da refração de luz em pets translúcidos em um de seus cômodos, piso no hall de entrada construído com fundos de garrafas de vidro, etc.
Toda a estrutura foi erguida de acordo com o projeto elaborado e financiado por meio de recursos da Arpa-II, todos liberados por meio do Ministério Público da Comarca de Formiga. Tais valores foram oriundos de multas recolhidas por infratores ambientais, em convênio celebrado com a Prefeitura.
O parque em outras épocas chegou a receber milhares de alunos das escolas municipais e de algumas escolas estaduais, em visitas programadas que, segundo informações de Vera Moreira que geria o parque, foram de grande importância para o esclarecimento dos mesmos sobre o tema Educação Ambiental (fotos abaixo). Os estudantes inclusive recebiam informações sobre a importância do jequitibá, (espécie plantada pelo naturalista Saint Hilaire) e enquanto espécie da flora brasileira. Também as técnicas para o emprego de materiais reciclados na construção do prédio eram abordadas, uma a uma. Fauna e flora existentes no parque também eram verificadas pelos visitantes e as informações cabíveis lhes eram repassadas.










