O liquidante do Banco Master identificou indícios de fraude na venda de uma mineradora realizada pelo dono do banco, Daniel Vorcaro, a Argeu Géo, Rodrigo Gontijo e Bernardo Gontijo, segundo reportagem do site “O Bastidor”.
De acordo com a investigação, há indícios de que a transação ocorreu por “valor vil”, com Vorcaro vendendo sua participação de 50% na empresa por R$ 700 milhões em novembro, enquanto tentava salvar o Master. Ele negociou 25% com Argeu Géo, do Grupo Agéo, e 25% com Rodrigo Gontijo, do Grupo AVG, que tinham direito de preferência caso o acionista majoritário decidisse vender sua fatia. Após a operação, os dois sócios minoritários passaram a controlar a mineradora com 50% cada.
A venda foi estruturada por meio de um modelo de earnout, no qual parte do pagamento depende do desempenho futuro da empresa. Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro, poucos dias após a venda, enquanto o Master foi liquidado em 18 de novembro durante a Operação Compliance Zero.
O liquidante do banco, Eduardo Félix Bianchini, nomeado pelo Banco Central do Brasil, investiga a transação. Bianchini, ex-servidor do BC, já atuou em pelo menos oito outras liquidações e interventorias financeiras e opera por meio da EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda.
A parceria entre Vorcaro, Argeu Géo e os Gontijo na mineradora começou em 2024, quando adquiriram o ativo da família Paz, conduzida pelos irmãos Cristiano e Bernardo Paz — este último criador do Instituto Inhotim. Avaliada em cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão), a empresa teve sua última parcela de compra quitada antes do previsto em maio de 2025, garantindo o controle integral aos novos sócios.
A mineradora produz atualmente cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com capacidade de até 15 milhões de toneladas, operando em Sarzedo, no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. A família Gontijo já atua no setor por meio da AVG Participações em Mineração, que possui quatro minas de ferro na região e uma produtora de ferro-gusa em Sete Lagoas (MG).
Com informações do O Tempo








