A Geração Distribuída (GD) de energia já é realidade em mais de 3 milhões de residências, com 7 milhões de unidades consumidoras beneficiadas pelos créditos de energia.
São mais de 43 GW de potência instalada, espalhados por todo o território nacional. Trata-se de uma geração 100% limpa, que reduz a conta de luz, promove autonomia e eficiência energética e fortalece economias locais.
O ataque à “Energia do Povo”
Nos últimos anos, a GD tem enfrentado uma série de obstáculos:
• Mudanças na compensação de créditos: A nova regulação (Marco Legal da GD) impõe tarifas sobre o uso da rede, mesmo para quem injeta energia limpa.
• Lobby de grandes grupos: Pressões para limitar o crescimento da GD, alegando “subsídios cruzados”, ignoram os benefícios sistêmicos da geração local.
• Desincentivo ao investimento popular: A insegurança regulatória afasta famílias, pequenos negócios e investidores que desejam gerar sua própria energia.
Benefícios técnicos e econômicos
A GD não é apenas uma escolha sustentável — ela se adequa perfeitamente às necessidades do consumidor:
• Cabe no bolso: é viável e acessível para todos os brasileiros que consomem acima de 300 kW/m de energia;
• Redução de perdas: a energia é gerada e consumida localmente, diminuindo as perdas de energia;
• Alívio na conta de luz: os créditos de energia permitem economia direta para milhões de brasileiros, fortalecendo o orçamento familiar;
• Geração de empregos e renda: o setor solar já emprega centenas de milhares de pessoas, com forte impacto em pequenas cidades;
• Descarbonização da matriz elétrica: a GD acelera a transição energética sem depender de grandes obras;
• Resiliência energética: diversificar a geração torna o sistema menos vulnerável a apagões e crises hídricas;
• Mais água e menos térmicas: a GD economiza água dos reservatórios das hidrelétricas e evita a geração de termelétricas que encarecem as tarifas e são poluentes.
O papel estratégico da GD
Com abundância solar e uma população engajada, o Brasil tem tudo para ser líder mundial em geração distribuída. Para isso, é preciso:
• Estabilidade regulatória que incentive o investimento;
• Reconhecimento dos benefícios sistêmicos da GD no planejamento energético nacional;
• Apoio técnico e financeiro para democratizar o acesso à geração própria, especialmente em comunidades de baixa renda.
A “Energia do Povo” não pode ser sabotada
A geração distribuída é uma conquista coletiva do consumidor brasileiro — e deve ser defendida como tal. Atacar a GD é atacar a autonomia energética, a sustentabilidade e o direito de milhões de brasileiros de escolher como consumir e produzir energia.
O futuro é da “Energia do Povo”, e ele começa no telhado de cada cidadão.
Texto Original do Economista Daniel Lima, publicado no www.linkedin.com em 12/10/2025
Alexandre Bertozzi Engenheiro eletricista e professor universitário. [email protected]








