Economia

Previsão da inflação sobe para 4,17% em 2026, aponta Boletim Focus do Banco Central

Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, foi revisada para cima e passou de 4,1% para 4,17% em 2026. A estimativa consta no Boletim Focus desta segunda-feira (23), divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), com projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país. Pela segunda semana consecutiva, a projeção de inflação para 2026 foi elevada, em meio às tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio, embora ainda permaneça dentro do intervalo da meta de inflação.

Inflação (IPCA) e cenário econômico

Em fevereiro, a inflação oficial registrou alta de 0,7%, influenciada principalmente pelos grupos de transportes e educação, após variação de 0,33% em janeiro. Apesar da aceleração mensal, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

O comportamento recente dos preços reforça o cenário de cautela, mesmo com a inflação permanecendo dentro do intervalo da meta estabelecida.

Meta de inflação e limites definidos pelo CMN

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite inferior é 1,5% e o superior chega a 4,5%. Apesar da alta recente nas projeções, a estimativa para 2026 segue dentro desse intervalo.

Projeções para os próximos anos

As expectativas do mercado para a inflação seguem relativamente estáveis nos anos seguintes. Para 2027, a projeção permanece em 3,8%. Já para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,52% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic e política monetária

A taxa básica de juros (Selic), principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, está atualmente em 14,75% ao ano, segundo decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual por unanimidade. Antes do agravamento do conflito no Irã, a expectativa era de um corte maior, de 0,5 ponto percentual.

Em um cenário recente, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25%. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas, permanecendo inalterada nas quatro reuniões seguintes.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom indicou a possibilidade de início de um ciclo de cortes na reunião deste mês, mas o comunicado posterior adotou tom mais cauteloso devido ao aumento das incertezas associadas ao conflito no Oriente Médio. O Banco Central não descarta rever esse ciclo de queda, caso necessário.

O boletim Focus também elevou a projeção para a Selic: de 12,25% para 12,5% ao ano ao fim de 2026. Para 2027 e 2028, as expectativas são de 10,5% e 10%, respectivamente, com recuo para 9,5% em 2029.
A taxa de juros influencia diretamente o consumo e a inflação: quando sobe, encarece o crédito e estimula a poupança, reduzindo a demanda e ajudando no controle dos preços, embora possa desacelerar a economia.

Quando cai, tende a baratear o crédito e estimular consumo e produção. Os bancos, no entanto, também consideram fatores como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas na definição dos juros ao consumidor.

PIB e câmbio

A previsão do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) é de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa é de expansão de 2% em ambos os anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marcando o quinto ano consecutivo de crescimento, com destaque para o desempenho da agropecuária.
No câmbio, o Boletim Focus projeta o dólar em R$ 5,40 no fim deste ano e em R$ 5,45 ao final de 2027.

O Boletim Focus desta semana reforça um cenário de leve alta nas projeções de inflação para 2026, ainda dentro da meta estabelecida, ao mesmo tempo em que indica ajustes graduais nas expectativas para juros, crescimento econômico e câmbio. O comportamento da Selic e os impactos de fatores externos, como as tensões no Oriente Médio, seguem como elementos centrais de incerteza para os próximos anos.

Com informações da Agência Brasil