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Obra milionária e dinheiro vivo: PF detalha como esposa de magistrado que soltou chefe do PCC pagou por mansão

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A esposa do desembargador Divoncir Schreiner Maran, Viviane Alves Gomes de Paula, é citada em um relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investiga a atuação do magistrado na decisão que concedeu liberdade ao megatraficante Gerson Palermo, apontado como chefe do PCC, em 2020. Segundo o documento, Viviane realizava pagamentos de altos valores em dinheiro vivo, situação que despertou suspeitas das autoridades.

Gerson Palermo foi preso nesta terça-feira (26), na Bolívia. A expectativa é de que ele seja extraditado para o Brasil para cumprir pena em Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao programa Fantástico, exibida no último domingo (24), a defesa do desembargador e de sua esposa negou “a prática de qualquer irregularidade”.

Compra de terreno e construção de imóvel de luxo

De acordo com a Polícia Federal, Divoncir Maran e Viviane adquiriram, em 2020, um terreno em um condomínio de alto padrão em Campo Grande, onde construíram uma residência. Conforme o inquérito, a obra teve custo superior a R$ 2,1 milhões.

As investigações apontam que os pagamentos aos fornecedores eram realizados por Viviane em dinheiro em espécie. Conversas interceptadas pela PF mostram que ela organizava encontros presenciais para efetuar os pagamentos e evitava utilizar cartão bancário.

Segundo o relatório, a reforma da residência teve início em 2021, um ano após o desembargador conceder prisão domiciliar a Gerson Palermo.

Conversas interceptadas pela PF

Em uma das mensagens analisadas pelos investigadores, Viviane afirma ao arquiteto responsável pela obra que preferia efetuar os pagamentos mensalmente em dinheiro.

Pra mim, fica melhor eu te dar dinheiro todo mês. Esse mês aconteceu de eu te dar picado, porque eu peguei uma parte do dinheiro, depois outra. Saiu tudo picado”, disse ela em conversa interceptada.

Em outro trecho, Viviane informa ao profissional que estava com o dinheiro na bolsa e sugere um encontro para quitar parte da dívida.

Além da construção da casa, o casal contratou móveis planejados para o imóvel em um serviço avaliado em R$ 650 mil. Em mensagens trocadas com o fornecedor, Viviane pede para marcar um encontro presencial para realizar o pagamento.

Precisamos marcar para eu acertar com você. Você vem até mim? Estou aqui no TRE. Me avise quando chegar na frente”, escreveu.

Suspeita de pagamentos sem registros formais

Para os investigadores, há indícios de que diversos pagamentos eram feitos diretamente em dinheiro, inclusive dentro de veículos, como forma de evitar registros formais das transações.

Em outra conversa obtida pela Polícia Federal, Viviane negocia a compra de ferragens no valor de R$ 40 mil e pergunta ao vendedor: “Veja pra mim quanto dá pra fazer no dinheiro”.

O fornecedor demonstra surpresa e questiona se o pagamento seria feito em espécie. Após a confirmação, responde: “É doido!”. Em seguida, orienta que o pagamento fosse realizado por cartão, PIX ou boleto, já que a empresa não aceitava dinheiro vivo.

Conforme a Polícia Federal, a origem dos valores utilizados nos pagamentos não foi identificada durante as investigações. O caso segue sendo apurado pelas autoridades.

Com informações do G1