Um estudo liderado por pesquisadores internacionais revelou que o consumo de pólen pode estar diretamente relacionado ao aumento da longevidade de determinadas espécies de borboletas. A pesquisa, publicada nessa terça-feira (16), identificou que os exemplares mais longevos analisados compartilhavam um hábito alimentar em comum: a ingestão de pólen, que corresponde aos gametas masculinos das plantas.
Os resultados foram obtidos por meio da análise de dados coletados em estudos realizados em borboletários públicos, além de programas de marcação, soltura e recaptura de insetos. Os pesquisadores também compilaram a expectativa máxima de vida de dez exemplares pertencentes à tribo Heliconiini, grupo que reúne diversas espécies de borboletas.
Durante a análise, os cientistas identificaram grande variação na longevidade entre as espécies observadas. Enquanto algumas sobreviveram por apenas 14 dias, como a borboleta Dione juno, outras alcançaram até 348 dias de vida, caso da Heliconius hewitsoni.
Ao investigar as razões para essa diferença, os pesquisadores concluíram que todas as espécies mais longevas consumiam pólen. Segundo o estudo, essas borboletas apresentaram uma expectativa máxima de vida média de aproximadamente 177 dias.
Já os exemplares que não se alimentavam de pólen registraram uma expectativa de vida máxima média de cerca de 58 dias.
Apesar da forte relação entre o consumo de pólen e o aumento da longevidade, os pesquisadores destacam que outros fatores também parecem desempenhar papel importante na sobrevivência das espécies.
Um experimento complementar realizado durante o estudo indicou que aspectos hereditários podem influenciar a expectativa de vida. Mesmo recebendo uma quantidade reduzida de pólen, uma borboleta da espécie Heliconius hecale sobreviveu por mais tempo do que outra espécie submetida à mesma dieta.
A principal hipótese levantada pelos cientistas é que as espécies do gênero Heliconius possuam maior capacidade biológica para aproveitar os benefícios nutricionais do pólen. Entre as vantagens apontadas estão o fortalecimento das defesas imunológicas e uma maior capacidade de armazenamento de energia.
No artigo científico, os pesquisadores destacam que os resultados consolidam o gênero Heliconius como um importante modelo para estudos sobre os mecanismos evolutivos e biológicos relacionados ao aumento da longevidade.
Os cientistas pretendem aprofundar as investigações para identificar quais outros fatores, tanto individuais quanto coletivos, podem influenciar positiva ou negativamente a longevidade das borboletas.
Com informações do Metrópoles







