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Sá Luíza e a luta contra a varíola: uma história de cuidado e resistência em Formiga

Foto: Imagem Ilustrativa

A varíola, uma das doenças mais temidas da história, afetou populações por mais de 3.000 anos. No Brasil, o primeiro registro de uma epidemia ocorreu em 1563. Séculos depois, avanços da medicina permitiram o desenvolvimento da primeira vacina contra a doença, criada em 1796 pelo médico inglês Edward Jenner.

As primeiras doses da vacina chegaram ao Brasil em 1804 e passaram a representar uma importante ferramenta de combate à enfermidade, que também marcou a história da antiga Vila Nova das Formigas, atual município de Formiga.

Na região, a varíola apareceu pela primeira vez em 1838, quando a então Vila Nova das Formigas enfrentou a doença.

Um dos fatos registrados na história local é que, naquele período, a Câmara de Formiga adotou a vacinação como medida de proteção da população. A decisão ocorreu em um contexto em que outras localidades, como a Vila de Tamanduá, inicialmente não haviam optado pelo investimento na vacinação em massa.

Epidemia de 1908 marcou Formiga

Em 1908, a varíola, conhecida popularmente como “bexiga preta”, voltou a atingir o município. A doença se espalhou após o velório de um boticário que teria sido contaminado por um caixeiro viajante.

O surto provocou a morte de vários moradores e exigiu uma resposta rápida do poder público da época. Entre as medidas adotadas, esteve a criação de um lazareto na Rua Sete de Setembro, destinado ao isolamento dos doentes, além do apoio da polícia no transporte dos falecidos.

A história de Sá Luíza durante a epidemia

Conforme relato registrado no livro “Memórias de um mineiro sexagenário”, do escritor formiguense Arinos Ribeiro, uma moradora de Formiga se destacou pela atuação durante o período de crise sanitária.

Conhecida como Sá Luíza, ela trabalhava como lavadeira para sustentar a família e era sobrevivente do período da escravidão no Brasil. Durante a epidemia, um de seus três filhos foi contaminado pela varíola.

Diante da situação, Sá Luíza foi para o lazareto levando também os filhos que ainda estavam saudáveis. No local, assumiu o papel de cuidadora dos pacientes, auxiliando os doentes, lavando roupas, realizando orações e colocando velas nas mãos daqueles que estavam em estado mais grave.

Mesmo convivendo diariamente com a doença, ela não foi contaminada e conseguiu preservar a vida dos três filhos.

Memória de resistência e solidariedade

Após o fim do período de maior dificuldade provocado pela epidemia, Sá Luíza retornou à sua rotina. Sua história permaneceu registrada como um exemplo de dedicação e solidariedade em um dos momentos mais difíceis enfrentados pela população de Formiga.

Com informações do Museu Francisco da Fonseca e Referência bibliográfica:
RIBEIRO, Arinos. Memórias de um mineiro sexagenário. São Paulo: Editora Martins, [19–]. Capítulo 2, p. 31-36.
CORREA, Leopoldo. Achegas à história do Centro-Oeste. 2. ed. Formiga: Consórcio Mineiro de Comunicação, 1993. p. 163-164.