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Especialistas alertam para risco de alimentar IA com informações pessoais

Foto: Magnific/Imagem/Ilustrativa

A inteligência artificial (IA) é uma ferramenta de tecnologia utilizada no dia a dia de milhares de pessoas para automatizar processos, esclarecer dúvidas e produzir conteúdo. Para obter respostas mais precisas, os usuários geralmente fornecem diversas informações e comandos, conhecidos como prompts. Nesse processo, porém, podem acabar revelando dados demais sobre a própria vida.

Segundo especialistas, o excesso de informações nem sempre é um problema, mas isso depende da ferramenta utilizada. Muitas plataformas fazem backups, enquanto outras podem não armazenar todos os conteúdos para economizar espaço. O principal risco está no tipo de dado pessoal disponibilizado, já que informações sensíveis ficam expostas à possibilidade de vazamento.

O professor Laerte Peotta de Melo, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB), alerta que o fornecimento de dados como senhas, códigos de autenticação, CPF, RG, dados bancários, exames médicos e documentos corporativos pode permitir que a ferramenta crie um perfil minucioso do usuário que pode não estar protegido.

“Ao longo do tempo, o acúmulo de detalhes do dia a dia — como profissão, hábitos, localização, rotina familiar e condição financeira — permite a correlação dessas informações, criando um perfil detalhado sobre o indivíduo”, reforça.

Pedro A. Galvão Junior, professor da Faculdade de Tecnologia (Fatec) São Roque, em São Paulo, também afirma que o excesso de informações fornecidas às ferramentas faz com que elas criem um perfil de quem as utiliza cotidianamente.

Um dos sinais desse processo, segundo ele, é que, em algumas situações, o usuário nem precisa pensar para elaborar um prompt, pois a própria ferramenta já apresenta uma série de informações.

“Uso essas ferramentas todos os dias. Tenho observado que elas já entendem minha forma de trabalhar com código e têm domínio sobre minhas ações”, relata.

Outro problema envolve plataformas muito genéricas, que respondem sobre diferentes assuntos. De acordo com o conteúdo apresentado, essas ferramentas geralmente utilizam os dados inseridos pelos usuários para ensinar o algoritmo a responder melhor. Falhas de segurança podem fazer com que a IA utilize informações de um usuário para responder a perguntas de outras pessoas.

É essencial pensar duas vezes antes de fornecer dados pessoais à inteligência artificial. Senhas, valores, dados bancários, informações sobre saúde, documentos e informações relacionadas ao trabalho não devem ser disponibilizados. É possível fazer perguntas sem fornecer detalhes pessoais.

Melo destaca que algumas empresas, quando precisam realizar análises de contratos com auxílio de ferramentas de IA, recorrem ao uso de Shadow AI, uma espécie de “uso oculto” do sistema.

“Se precisar enviar algumas informações particulares e privadas, o importante é buscar anonimizar esses dados. Por exemplo, ao pedir uma análise de um contrato, normalmente a gente não precisa fornecer o nome completo, o CPF, a assinatura ou mesmo dados bancários. Você pode enviar o texto sem essas informações”, ressalta o professor.

 

Com informações do Metrópoles