As internações de dependentes químicos aumentaram significativamente durante o processo de dispersão da Cracolândia, em São Paulo, promovido pelo poder público a partir de 2024. Dados do governo estadual apontam que cerca de 30 mil internações foram registradas desde a criação do Hub de Cuidados com Crack e Outras Drogas, em abril de 2023.
As internações voluntárias passaram de 4.269 em 2023 para 13.274 em 2024, um crescimento de 211%. Já as internações involuntárias, realizadas com autorização médica ou familiar, subiram de 168 para 460 no mesmo período, alta de 174%. Em 2025, após a dispersão dos usuários para diferentes regiões da cidade, os números apresentaram queda.
Especialistas e profissionais da saúde apontam que a redução pode estar relacionada à dificuldade de localizar os dependentes após o espalhamento dos grupos pela capital. Também destacam que o aumento do tempo de internação, observado no período, não tem sido suficiente para evitar recaídas sem políticas eficazes de reinserção social, moradia, emprego e acompanhamento após a alta.
Relatos de pacientes e trabalhadores da área indicam que muitos deixam os hospitais sem suporte adequado para continuidade do tratamento. Segundo especialistas, fatores como vulnerabilidade social, rompimento de vínculos familiares e falta de oportunidades contribuem para o retorno ao uso de drogas.
O governo de São Paulo afirma que a estratégia combinou ampliação da rede de atendimento aos dependentes químicos com ações de combate ao tráfico de drogas, resultando no esvaziamento da antiga concentração de usuários na região da Cracolândia. Já a Prefeitura de São Paulo informou que o atendimento é realizado por equipes de saúde e assistência social, com fiscalização dos órgãos competentes.
Com informações do Metrópoles







