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Quedas mataram 24 idosos por dia no Brasil em 2025 e acendem alerta para prevenção

Foto: Magnific

As quedas entre pessoas idosas continuam sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam que, somente em 2025, foram registrados 85.169 atendimentos ambulatoriais e 48.576 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência desse tipo de acidente. No mesmo período, 9.050 idosos morreram após sofrer quedas, o equivalente a cerca de 24 óbitos por dia.

O tema ganha destaque nesta quarta-feira (24), data em que é celebrado o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, reforçando a importância da conscientização e da adoção de medidas preventivas para reduzir os riscos.

Segundo o Ministério da Saúde, os números de atendimentos e internações representam o total de procedimentos realizados e não necessariamente o número de pacientes, uma vez que uma mesma pessoa pode gerar mais de um registro. O órgão também recomenda manter atualizada a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, registrando informações sobre quando, onde e como as quedas ocorreram.

Quedas podem indicar problemas de saúde

O aposentado Edvard Ferreira da Silva, de 64 anos, conhece de perto os impactos desse problema. Devido a uma doença adquirida na infância, ele relata ter sofrido diversas quedas ao longo da vida, situação que se agravou nos últimos anos.

Morador do bairro Providência, na região Nordeste de Belo Horizonte, Edvard conta que já sofreu quedas dentro de casa e em espaços públicos. Recentemente, caiu na rua onde mora e fraturou o dedão do pé esquerdo em dois locais diferentes.

Segundo ele, um problema na coluna provoca enfraquecimento das pernas e dificuldade para manter o equilíbrio. Após o acidente mais recente, passou a utilizar bengala para aumentar a segurança durante a locomoção e planeja realizar adaptações em sua residência.

Especialistas alertam que cair não é algo normal na velhice

Apesar da frequência desses acidentes, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP) destaca que as quedas não devem ser encaradas como uma consequência natural do envelhecimento.

De acordo com a fisioterapeuta Caroline Saladini, diretora da entidade, as quedas costumam ser resultado de alterações que se desenvolvem gradualmente, como perda de força muscular, doenças crônicas e riscos presentes no ambiente.

A especialista ressalta que a identificação precoce desses fatores pode contribuir para a preservação da independência e da qualidade de vida da população idosa.

Além das lesões físicas, as quedas podem gerar impactos emocionais e sociais, comprometendo a confiança, a autonomia e a participação da pessoa idosa em suas atividades diárias. Em situações mais graves, podem ocorrer fraturas de fêmur, traumatismos cranianos, longos períodos de internação, necessidade de cirurgias e aumento do risco de mortalidade.

Caroline também destaca que cada caso deve ser investigado individualmente. Entre os fatores que podem contribuir para uma queda estão tonturas, fraqueza muscular, alterações de pressão arterial, obstáculos no ambiente, iluminação inadequada e efeitos colaterais de medicamentos.

Exercícios físicos ajudam a reduzir os riscos

A prática de atividade física orientada é apontada como uma das principais estratégias para prevenir quedas. Exercícios voltados ao fortalecimento muscular e ao treinamento do equilíbrio auxiliam na manutenção da independência, da segurança e da participação social dos idosos.

A especialista alerta ainda que limitar excessivamente os movimentos da pessoa idosa por medo de acidentes pode ter o efeito contrário ao desejado, favorecendo o aumento da fraqueza muscular, da insegurança e do risco de novas quedas.

Medidas simples podem aumentar a segurança

Especialistas recomendam algumas ações para reduzir os riscos de acidentes dentro e fora de casa:

  • Manter a residência bem iluminada, especialmente corredores e banheiros;
  • Evitar tapetes soltos;
  • Instalar barras de apoio em locais estratégicos;
  • Utilizar calçados fechados e antiderrapantes;
  • Manter fios e objetos fora das áreas de circulação;
  • Revisar regularmente os medicamentos com orientação médica;
  • Realizar consultas oftalmológicas periódicas;
  • Evitar levantar-se rapidamente;
  • Praticar exercícios físicos supervisionados;
  • Procurar avaliação médica após qualquer queda, mesmo sem ferimentos aparentes.

Com informações do O Tempo