A preocupação com privacidade e segurança tornou-se o principal motivo para que crianças e adolescentes deixem de ter telefone celular no Brasil. O dado faz parte do módulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento também revelou que, pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016, houve queda na proporção de crianças de 10 a 13 anos que possuem celular. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra o avanço do uso da internet e dos dispositivos móveis entre os idosos, além da ampliação do acesso a serviços digitais em todo o país.
Em 2025, 55,2% das crianças de 10 a 13 anos tinham telefone celular, uma redução de 1,5 ponto percentual em comparação com 2024. Segundo o IBGE, esse foi o único grupo etário que apresentou queda na posse do aparelho.
Entre os responsáveis por crianças que ainda não possuem celular, 32% apontaram a preocupação com privacidade e segurança como principal motivo para não fornecer o dispositivo. O percentual representa um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024 e praticamente dobrou desde 2022.
Naquele ano, o principal motivo informado pelos pais era o alto custo do aparelho. Em seguida apareciam a falta de necessidade e o fato de a criança utilizar o celular de outra pessoa. Na época, a preocupação com privacidade e segurança ocupava apenas a quarta posição entre as justificativas.
De acordo com o analista do IBGE, Gustavo Fontes, a queda foi registrada apenas entre crianças de 10 a 13 anos. Nas demais faixas etárias, a posse de celulares continuou crescendo, alcançando 89,8% da população em geral.
Segundo Fontes, o aumento da preocupação com a exposição das crianças, especialmente nas redes sociais, pode estar relacionado a esse comportamento. O analista também destaca que, em 2025, houve restrição ao uso de celulares nas escolas.
Outro dado da pesquisa reforça essa tendência. O acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos, independentemente do aparelho utilizado, caiu de 84,9% para 84,4%.
Entre aqueles que permanecem desconectados, o principal motivo apontado foi a falta de necessidade. A preocupação com privacidade e segurança aparece como a segunda justificativa mais citada.
Assim como ocorreu na posse de celulares, esse foi o único grupo etário que registrou redução no acesso à internet. Entre adolescentes de 14 a 19 anos, o indicador permaneceu estável. Já considerando toda a população brasileira, o uso da internet aumentou de 89,2% para 90,5%.
A pesquisa também destaca o avanço da inclusão digital entre os brasileiros com mais de 60 anos.
Em 2025, 74,5% dos idosos utilizavam a internet, um crescimento de 4,4 pontos percentuais em relação a 2024 e superior a 29 pontos percentuais na comparação com 2019.
A proporção de idosos que possuem telefone celular também aumentou, passando de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.
Entre aqueles que ainda não utilizam internet ou celular, o principal motivo informado é a falta de conhecimento para operar essas tecnologias.
Para Gustavo Fontes, a crescente digitalização dos serviços tem incentivado esse público a buscar maior familiaridade com as ferramentas digitais.
O levantamento mostra ainda que o uso da internet para acessar bancos e outras instituições financeiras alcançou 74,2% dos usuários em 2025, um aumento de 14,4 pontos percentuais em comparação com 2022.
O acesso a serviços públicos pela internet também apresentou crescimento no mesmo período, passando de 33,2% para 41,1%.
Outro destaque é que, pela primeira vez, mais da metade da população conectada afirmou comprar ou encomendar bens e serviços pela internet. A proporção subiu de 47,9% para 52,7%.
Entre as 12 funcionalidades pesquisadas pelo IBGE, a atividade mais frequente entre os usuários da internet foi realizar chamadas de voz ou vídeo, prática adotada por 95,3% dos brasileiros conectados.
Na sequência aparecem o envio de mensagens de texto, voz e imagens por aplicativos, citado por 90,2% dos usuários, e o hábito de assistir vídeos, incluindo programas, filmes e séries, registrado por 89,3% da população que utiliza a internet.
Com informações da Agência Brasil






