A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta quarta-feira (8), um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o objetivo de localizar novas armas, munições e documentos relacionados aos armamentos. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma divergência apontada entre a quantidade de armas registradas em nome do ex-presidente e aquelas efetivamente entregues aos órgãos responsáveis.
Em decisão publicada nesta manhã, Moraes afirmou que havia uma “divergência” entre o número de armas de fogo registradas e os armamentos que foram apresentados após determinação judicial. Na última sexta-feira (3), o ministro havia ordenado que Bolsonaro entregasse todas as armas que estavam sob sua posse.
Segundo o Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, porém, o ex-presidente não teria entregue todos os armamentos determinados pela decisão.
Na decisão que autorizou a operação, Alexandre de Moraes afirmou que a permanência de armas de fogo em posse do ex-presidente, após uma determinação de entrega integral, representaria uma situação incompatível com a ordem judicial anterior.
Segundo o magistrado, a existência de uma suposta “discrepância entre as informações” tornou “imprescindível” a realização da busca e apreensão para eliminar dúvidas sobre a permanência de armamentos na residência de Bolsonaro.
A decisão destacou que a medida tinha como finalidade exclusiva localizar e apreender eventuais armas remanescentes, além de verificar documentos e acessórios relacionados aos equipamentos.
Após a ação da Polícia Federal, o advogado e assessor especial de Jair Bolsonaro, João Henrique de Freitas, afirmou, em publicação na rede social X, que acompanhou o cumprimento do mandado na residência do ex-presidente.
Segundo ele, os agentes procuravam armas, munições, acessórios e documentos de registro, mas nenhum item foi localizado.
“A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-Presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, afirmou na publicação.
A discussão sobre possíveis armas mantidas em posse de Bolsonaro teve início após uma abordagem policial em que uma arma foi encontrada no assoalho do veículo de Estácio Leite da Silva Filho, integrante da segurança do ex-presidente.
Em depoimento, Estácio afirmou que havia levado o armamento para reparos e declarou que a arma pertencia a Bolsonaro.
Depois do episódio, o ex-presidente prestou depoimento à Polícia Civil. Militar reformado, Bolsonaro afirmou que não poderia permanecer desarmado por ter “três mulheres em casa”, em referência à esposa Michelle Bolsonaro, à filha Laura Bolsonaro e à enteada Letícia Firmo.
Condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária por motivos de saúde. A permanência na residência, inicialmente, era temporária.
No dia 3/7, Alexandre de Moraes, relator do processo que resultou na condenação do ex-presidente, determinou a prorrogação da prisão domiciliar. Além disso, o ministro revogou o porte da pistola apreendida e determinou a apreensão de outras 10 armas.
Das 10 armas mencionadas na decisão, oito eram classificadas como de uso restrito. Conforme informado, Bolsonaro entregou apenas seis desses armamentos.
Com informações do O Tempo






