Ciência e Saúde

Estudo aponta que casos graves de Covid-19 podem reativar vírus adormecidos no organismo

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Um estudo publicado nessa quarta-feira (5) na revista Nature indica que casos graves de Covid-19 podem reativar vírus que permanecem adormecidos no organismo por anos. Segundo os pesquisadores, esse fenômeno esteve associado a formas mais graves da infecção e também ao desenvolvimento da Covid longa.

A pesquisa acompanhou mais de mil pessoas hospitalizadas com Covid-19 durante o ano de 2020 e o início de 2021. Quase metade dos participantes apresentou reativação de vírus já presentes no organismo, entre eles o vírus Epstein-Barr, o citomegalovírus, o herpes simples e os anelovírus.

De acordo com o estudo, muitas pessoas entram em contato com determinados vírus ainda na infância ou adolescência. Após a infecção inicial, esses microrganismos permanecem em estado de latência dentro das células e, normalmente, são controlados pelo sistema imunológico.

Os pesquisadores investigaram se a infecção pelo coronavírus poderia favorecer a reativação desses vírus. Para isso, analisaram amostras de sangue, secreções nasais e fluidos pulmonares de pacientes hospitalizados.

Os resultados mostraram que a reativação não ocorre da mesma forma para todos os vírus. O vírus Epstein-Barr e os anelovírus costumam reaparecer logo após a internação, enquanto o citomegalovírus e o herpes simples tendem a ser detectados cerca de três semanas depois, principalmente nas vias respiratórias.

A análise também identificou que a reativação ocorreu em pacientes que não apresentavam doenças capazes de comprometer o sistema imunológico.

Segundo Esther Melamed, médica e pesquisadora da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, e coautora do estudo, a Covid-19 pode desencadear um processo de estresse no organismo que favorece essas reativações, ampliando a inflamação causada pela doença.

Os pesquisadores acompanharam os participantes durante um ano após a infecção inicial e observaram uma associação entre a reativação dos anelovírus e o desenvolvimento da Covid longa, condição em que os sintomas podem persistir por meses ou até anos.

Além disso, os pacientes que apresentaram vírus reativados registraram níveis mais elevados de inflamação, maior atividade das células de defesa e mais sinais de danos celulares em comparação com os hospitalizados que não passaram pelo mesmo fenômeno.

Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que o estudo ainda não permite concluir que os vírus reativados sejam responsáveis pelo agravamento da Covid-19 ou pelo surgimento da Covid longa. Segundo os pesquisadores, eles podem tanto contribuir para esses problemas quanto servir apenas como um indicativo de que o sistema imunológico está sob intenso estresse.

Os autores do estudo afirmam que compreender o processo de reativação viral poderá contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Além de combater o coronavírus, futuros tratamentos poderiam incluir antivirais direcionados aos vírus que voltam a ficar ativos durante a infecção.

No entanto, os pesquisadores destacam que essa hipótese ainda precisa ser confirmada por estudos clínicos. Atualmente, um ensaio clínico já avalia o uso de antivirais contra herpesvírus em pessoas com Covid longa, com o objetivo de verificar se essa abordagem pode melhorar a evolução da doença ou reduzir o risco de sintomas persistentes.

 

Com informações do Metrópoles