A colheita de café alcançou 67,3% nas áreas atendidas pela Cooxupé, maior cooperativa de café do Brasil, com sede em Guaxupé (MG). O percentual é inferior ao registrado no mesmo período dos dois anos anteriores, mas, segundo a cooperativa, o ritmo mais lento não representa problemas para a safra de 2026. A avaliação é de que o avanço acompanha um comportamento mais próximo do ciclo natural da cultura, favorecido por condições climáticas diferentes das observadas recentemente.
O levantamento considera propriedades localizadas no Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e Mogiana Paulista.
De acordo com os dados da Cooxupé, no mesmo período de 2025 a colheita já havia atingido 74,2% das áreas atendidas pela cooperativa. Em 2024, o índice era superior a 82%.
No recorte específico do Sul de Minas, a colheita chegou a 71,4%. No mesmo período do ano passado, o percentual era de pouco mais de 77%, enquanto em 2024 já alcançava 86,9%.
Segundo o engenheiro agrônomo de geoprocessamento da Cooxupé, Rodrigo Albano, as condições climáticas influenciaram diretamente o ritmo da colheita.
De acordo com o especialista, diferentemente dos anos anteriores, 2025 apresentou um clima mais favorável para a cultura do café, com temperaturas mais amenas e sem a atuação do fenômeno El Niño. Como consequência, o desenvolvimento da safra ocorreu dentro do ritmo considerado natural para a planta.
Albano destacou que não haverá uma super safra, mas afirmou que os anos anteriores registraram uma aceleração da maturação dos frutos em razão das altas temperaturas, das chuvas e de outros fatores climáticos que alteraram o comportamento da cultura.
Apesar da diferença em relação aos índices dos últimos anos, Rodrigo Albano afirmou que o atual estágio da colheita não deve ser interpretado como um problema para os produtores.
Segundo ele, fisiologicamente, a planta está se desenvolvendo da forma esperada. O principal desafio climático nesta safra tem sido o excesso de chuvas durante o período de colheita, que provocou a queda de muitos frutos no solo e tornou mais difícil o trabalho de recolhimento.
Ainda assim, o agrônomo reforçou que tanto as condições climáticas quanto o andamento da safra permanecem dentro do esperado.
Na fase final da colheita, a principal recomendação da Cooxupé aos cafeicultores é acelerar o recolhimento dos frutos que caíram no chão para evitar perdas de qualidade causadas pela umidade.
Segundo Rodrigo Albano, o volume maior de chuvas registrado durante a colheita aumenta a umidade dos frutos que permanecem no solo, comprometendo sua qualidade. Por isso, quanto mais rápido o produtor conseguir recolher esse café para realizar o beneficiamento, menores serão os prejuízos.
De acordo com a Cooxupé, a safra de 2026 continua dentro das expectativas previstas pela cooperativa. No entanto, a ocorrência mais frequente de chuvas durante o período de colheita exige atenção redobrada dos produtores para preservar a qualidade dos grãos até a conclusão dos trabalhos.
Com informações do G1








