O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo nota do Palácio do Planalto, a conversa durou uma hora e 20 minutos e ocorreu em “tom amistoso e cordial”.
Entre os principais assuntos tratados estiveram as novas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros, o combate ao crime organizado e questões relacionadas ao cenário internacional.
Um dos principais temas da conversa foi a imposição de novas tarifas de 25% e 12,5% pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada pelo governo norte-americano com alegações de que práticas brasileiras, como o Pix, prejudicam empresas dos Estados Unidos e o direito à propriedade intelectual.
Lula afirmou a Trump que as alegações são “infundadas” e observou que as tarifas “afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos”, segundo o Palácio do Planalto.
O presidente brasileiro defendeu a continuidade das negociações como melhor alternativa.
“O Presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, destacou a nota da Presidência da República.
Outro tema central da conversa foi o combate ao crime organizado e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão é criticada pelo governo Lula e foi comemorada pela oposição no Brasil.
Lula argumentou que as facções criminosas “exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas”. Segundo o presidente, não há necessidade de uma classificação especial para designar essas organizações.
O presidente também destacou a estratégia de “asfixiar financeiramente a criminalidade” e mencionou a aprovação da Lei Antifacção. Lula citou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado e amplia o papel da União no combate ao crime organizado.
Segundo o governo brasileiro, Trump “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
Durante o telefonema, Lula e Trump também trocaram impressões sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Os dois defenderam uma solução negociada entre os governos russo e ucraniano. Trump, por sua vez, falou sobre perspectivas de resolução do conflito com o Irã.
Lula lamentou a “inoperância” do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para tratar dos conflitos.
Os Estados Unidos são um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, ao lado de China, Rússia, França e Reino Unido.
O telefonema ocorreu em meio a uma fase de forte tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Além dos seguidos tarifaços, o governo norte-americano suspendeu o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
A medida ocorreu em represália a uma “demora” do governo Lula para analisar a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos em Brasília.
Nas últimas semanas, Lula já havia manifestado o desejo de conversar novamente com Trump e feito elogios à relação com o presidente norte-americano.
“Eu trato eles bem, o Trump tem me tratado bem. Ele tem me tratado muito bem, de forma muito respeitosa e eu trato ele de forma muito respeitosa”, disse Lula em entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”.
Lula também havia afirmado que pediria a Trump para “não se meter nos negócios do Brasil e sobretudo na nossa eleição”. A nota divulgada pela Presidência da República, entretanto, não cita as eleições como um dos temas abordados no telefonema desta sexta-feira.
Com informações do O Tempo






