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Atlas da Violência 2026

Foto: UN

Em maio, foi divulgado o Atlas da Violência 2026, uma edição que comemora os 10 anos desta publicação. Em 2016, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) firmaram parceria para criar o Atlas que, hoje, é o principal instrumento de diagnóstico e análise da letalidade no país. E tem oferecido subsídios para a formulação de políticas públicas.

O Brasil teve 42.590 homicídios no ano de 2024, uma taxa de 20,1 casos por 100 mil habitantes. O número sobe para 49.673 (com taxa de 23,4 por 100 mil) diante de um cálculo feito pelos especialistas do Atlas para estimar quantas mortes violentas sem causa determinada foram, na verdade, homicídios não registrados (leia mais abaixo).

Os assassinatos ocorreram de maneira altamente desigual no país. Um conjunto de 99 municípios (de 5.570) teve metade dos homicídios nesse período. Esses municípios abrigam 43,4% da população brasileira.

A violência ficou mais concentrada em poucos municípios em 2024. Outras edições do Atlas apontaram que, no ano anterior, eram 165 municípios responsáveis por metade dos homicídios. Em 2022, o resultado havia sido semelhante, com 162 municípios.

E essa violência atinge grupos específicos:

  1. Violência contra jovens negros: a maior taxa de homicídios é entre jovens negros (15 a 29 anos): 78,0 por 100 mil entre homens jovens, quase o dobro da taxa geral. A violência letal atinge de forma desproporcional a juventude negra, com taxas muito superiores às de jovens não negros. De forma geral, os negros têm taxa de assassinatos 2,7 vezes maior que os demais. Nos estados de Alagoas e Amapá, esse número salta para até 23 vezes.
  2. Violência contra crianças e adolescentes: em 2024, foram assassinadas 5.199 crianças e adolescentes (0 a 19 anos). A violência sexual contra crianças de 0 a 4 anos cresceu mais de quatro vezes entre 2014 e 2024, e os suicídios entre adolescentes (10 a 19 anos) cresceram 41,7% na última década.
  3. Violência contra indígenas: a taxa de homicídios de indígenas foi de 24,6 por 100 mil, 22% superior à média nacional, e o suicídio indígena é 2,7 vezes maior que a média nacional. Estados como Roraima e Mato Grosso do Sul apresentam taxas extremamente elevadas (ex.: 172,9 e 122,8 por 100 mil, respectivamente).
  4. Violência no trânsito: em 2024, o número de mortes no trânsito atingiu 37.150, com aumento de 6,5% em relação a 2023. Os motociclistas são os mais afetados: 41,6% das mortes no trânsito envolvem motos.
  5. Armas de fogo: foram responsáveis por 70,1% dos homicídios em 2024. Apesar da queda geral, estados como Amapá, Roraima e Bahia tiveram aumento no uso de armas de fogo na última década.

Um fato positivo é que uma ação em vinte cidades, sendo dez da Bahia e cinco do Ceará, teria um impacto gigantesco nessa situação. É preciso uma parceria entre governos, políticos, igrejas e toda sorte de organizações da sociedade para atuarem conjuntamente na formação de um fundo de investimento, atuação na prevenção e na aquisição de equipamentos ou contratação de laboratórios para investigação de crimes violentos. E com urgência!

 

Mario Eugenio Saturno