O cigarro ainda faz parte da rotina de milhões de pessoas no Brasil. Cerca de 11,6% dos adultos se declaram fumantes, segundo as informações apresentadas na matéria. Como principal fator de risco para o câncer de pulmão, o tabagismo levanta uma questão importante: interromper o hábito, mesmo depois de muitos anos, faz diferença?
Segundo especialistas, sim. Embora a redução do risco não seja imediata, ela ocorre de forma progressiva ao longo dos anos após a interrupção do cigarro.
“O risco de câncer de pulmão cai pela metade após cerca de sete anos sem fumar e continua diminuindo com o passar dos anos”, explica a pneumologista Kamila Tolomei, do Hospital Alvorada Moema.
A especialista ressalta, porém, que ex-fumantes ainda apresentam risco maior do que pessoas que nunca fumaram, especialmente aqueles com histórico prolongado de tabagismo. Por esse motivo, o acompanhamento médico continua sendo indicado mesmo depois de abandonar o cigarro.
O organismo também responde relativamente rápido quando o cigarro é deixado de lado. De acordo com o pneumologista Fabrício Sanches, do Hospital Santa Lúcia, o sistema respiratório apresenta capacidade de recuperação em diferentes níveis.
“Poucas semanas após parar, os cílios pulmonares voltam a funcionar, ajudando a eliminar impurezas e reduzindo tosse e infecções respiratórias”, afirma Sanches.
A inflamação crônica dos brônquios também diminui com o passar do tempo. Nem todos os danos provocados pelo tabagismo, entretanto, são reversíveis.
Alterações estruturais, como a destruição dos alvéolos causada pelo enfisema pulmonar, não se regeneram completamente. Nesses casos, o principal benefício de abandonar o cigarro é interromper a progressão da doença.
Estudos citados pelo pneumologista William Schwartz, coordenador do Hospital Santa Lúcia, mostram que, entre 10 e 15 anos depois de parar de fumar, o risco chega a aproximadamente metade daquele observado em quem continua fumando.
“Nos primeiros anos, o risco ainda permanece elevado, em parte porque muitos pacientes param quando o dano já está instalado. Depois, há uma redução progressiva ao longo do tempo”, afirma Schwartz.
Mesmo depois de décadas sem fumar, pode existir uma pequena diferença em relação a pessoas que nunca tiveram contato com o cigarro. Ainda assim, os benefícios da interrupção são considerados significativos.
Os efeitos de abandonar o tabagismo não se limitam à redução do risco de câncer de pulmão. Em poucos dias, já ocorre melhora na circulação e nos níveis de oxigênio no sangue. Depois de algumas semanas, a capacidade física aumenta e a falta de ar diminui.
A longo prazo, a redução dos riscos também alcança outras doenças. Segundo Fabrício Sanches, há uma queda importante no risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outros tipos de câncer, incluindo os de boca, esôfago e bexiga.
Embora os benefícios sejam maiores quanto mais cedo ocorre a interrupção do tabagismo, abandonar o cigarro proporciona vantagens em qualquer fase da vida.
“Quem para até os 40 anos reduz cerca de 90% o risco de morrer por doenças relacionadas ao tabaco”, afirma William Schwartz.
Mesmo em idades mais avançadas ou depois do desenvolvimento de doenças associadas ao tabagismo, deixar de fumar continua tendo impacto sobre a saúde e a expectativa de vida.
A decisão também produz efeitos sobre as pessoas próximas. “Ao parar de fumar, a pessoa reduz os danos para quem está ao redor e pode influenciar outras pessoas a fazer o mesmo”, completa o especialista.
Com informações do Metrópoles






