Ciência e Saúde

Anvisa emite alerta sobre venda ilegal de tirzepatida em pó e peptídeos em redes sociais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta oficial, nessa quarta-feira (23), chamando a atenção da população para a comercialização irregular de tirzepatida em pó em perfis nas redes sociais. A substância é um medicamento injetável que atua ativando o receptor de GLP-1, princípio ativo conhecido por estar presente nas chamadas canetas emagrecedoras. O órgão reforça os graves riscos associados ao uso de produtos comercializados sem garantia de origem ou esterilidade.

Regulamentação da tirzepatida e os perigos da manipulação caseira

No território brasileiro, a tirzepatida regulamentada pela Anvisa é comercializada legalmente em farmácias físicas como o princípio ativo do Mounjaro. O medicamento também pode ser encontrado em farmácias de manipulação, desde que o paciente apresente indicação e prescrição médica formal.

No entanto, a agência alerta que não é seguro manipular e utilizar medicamentos fora de um ambiente estéril, ou seja, livre de micro-organismos patogênicos como bactérias e fungos. Segundo a nota técnica, circulam nas redes sociais vídeos em formato de tutorial nos quais usuários diluem o produto em pó e ensinam a realizar a aplicação caseira sem nenhum tipo de cuidado sanitário. O comércio ilegal desse tipo de substância tem sido alvo frequente de diversas ações policiais.

Incerteza sobre a fórmula e riscos de infecções graves

A Anvisa destaca que, por se tratar de um produto clandestino que não passou por nenhuma avaliação oficial, não é possível comprovar a presença real do princípio ativo, sua concentração exata ou a ausência de impurezas e agentes contaminantes.

A administração de substâncias injetáveis sem controle atinge diretamente o organismo, podendo desencadear infecções graves. O órgão reforça que a falsa crença de que misturar um produto em pó com água ou outra solução caseira o torna seguro representa um perigo iminente à saúde. Contaminantes perigosos podem ser totalmente invisíveis a olho nu, de modo que embalagens lacradas ou a aparência limpa não garantem segurança. Além disso, o próprio ambiente doméstico eleva consideravelmente o risco de contaminação durante o preparo. A recomendação da agência é categórica: apenas itens fabricados especificamente para uso injetável sob rígidos controles de qualidade devem ser administrados por essa via.

Alerta sobre o peptídeo CBL-514

Além da tirzepatida em pó, a Anvisa também identificou a divulgação e indicação nas redes sociais do uso do CBL-514, uma substância apontada como tendo potencial para redução de gordura localizada.

A agência esclarece que este peptídeo sintético ainda se encontra em fase 2 de estudos clínicos, não possuindo registro nem qualquer autorização para comercialização no Brasil. Durante essa etapa, o produto passa por avaliações para confirmar ou refutar sua segurança, eficácia e qualidade, o que significa que não existem garantias de que os benefícios superem os danos potenciais à saúde dos usuários.

 

Com informações da Agência Brasil