Economia

Bolsa despenca 17% no primeiro pregão após reeleição de Lula; dólar dispara e chega a R$ 5,60

Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil

Bolsa brasileira registra queda expressiva nesta segunda-feira (26), enquanto dólar dispara e chega a R$ 5,60. Reação do mercado reflete preocupações dos investidores com a política fiscal do governo federal.

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3, registrou forte queda nesta segunda-feira (26), em reação à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado nesse domingo (25).

O índice chegou a recuar 15,54%, aos 173.215 pontos, segundo os dados apresentados. Mais cedo, a bolsa brasileira acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas do mercado.

A medida foi adotada após o Ibovespa registrar uma desvalorização superior a 10% nos primeiros minutos do pregão. Com a retomada das operações, a queda se aprofundou e ultrapassou 17%. Por volta das 11h30, o índice recuava 17,22%, aos 169.957 pontos.

O acionamento do circuit breaker interrompeu as negociações na B3 por 30 minutos. O mecanismo é utilizado em momentos de forte instabilidade, quando o Ibovespa atinge determinados níveis de desvalorização.

Durante a suspensão, ficam interrompidas as negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada.

O episódio marcou o primeiro acionamento do mecanismo na B3 desde março de 2020, período em que os mercados financeiros enfrentaram fortes turbulências durante a pandemia de coronavírus.

O acionamento do circuit breaker segue critérios estabelecidos de acordo com a queda do Ibovespa em relação ao fechamento do pregão anterior:

Queda de 10%: as negociações são suspensas por 30 minutos.

Queda de 15%: após a reabertura, se o índice atingir esse patamar de desvalorização, as operações são interrompidas por uma hora.

Queda de 20%: a B3 pode suspender novamente as negociações por um período definido pela própria bolsa.

O objetivo do mecanismo é interromper temporariamente as operações em momentos de forte oscilação do mercado financeiro.

A queda desta segunda-feira reverteu os ganhos expressivos registrados pela bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições presidenciais.

Na primeira etapa da disputa, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula, então candidato à reeleição, obteve 45,16%.

No pregão seguinte ao primeiro turno, o Ibovespa avançou 7,7%, alcançando 206.911 pontos. O resultado representou um recorde em termos nominais e reais, conforme os dados apresentados.

Na mesma sessão, o dólar recuou 4,11%, chegando a R$ 5,001. Foi a maior queda da moeda norte-americana no fechamento desde 2018, quando a cotação havia caído 5,5% em um único pregão.

A mudança de direção observada após o segundo turno evidencia a alteração das expectativas dos investidores diante do resultado eleitoral.

Enquanto o Ibovespa registrava perdas expressivas, o dólar operava em forte alta nesta segunda-feira.

Por volta das 12h, a moeda norte-americana avançava 9,29%, cotada a R$ 5,4568. Durante o pregão, a cotação chegou à máxima de R$ 5,6048.

O movimento acompanhou a reação negativa do mercado financeiro ao resultado das eleições, em meio às preocupações dos investidores com os rumos da política econômica brasileira.

O desempenho positivo da bolsa após o primeiro turno refletia, em parte, a expectativa dos investidores pela vitória de Flávio Bolsonaro. Durante a campanha, o senador defendia um ajuste fiscal mais rigoroso para um eventual governo.

Em referência à proposta de redução de gastos, Flávio chegou a utilizar o termo “tesouraço”, em alusão ao “plano motosserra” apresentado pelo presidente da Argentina, Javier Milei, durante sua campanha eleitoral.

A perspectiva de medidas mais rigorosas para controlar as despesas públicas contribuiu para o otimismo observado no mercado após a primeira etapa da votação.

Com a confirmação da continuidade de Lula na Presidência da República, os investidores passaram a demonstrar maior preocupação com a possibilidade de o governo federal não adotar medidas consideradas suficientes para promover o ajuste das contas públicas.

A forte desvalorização do Ibovespa e a alta do dólar marcaram a reação inicial do mercado financeiro à vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

O movimento reverteu parte dos ganhos registrados após o primeiro turno e evidenciou a influência das expectativas políticas e fiscais sobre os investimentos. A preocupação central apontada no cenário apresentado é a capacidade do governo federal de implementar medidas para equilibrar as contas públicas.

 

Com informações do O Tempo